O norueguês Erling Haaland usou um capacete viking para comemorar a classificação da Noruega às oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, contra o Brasil neste domingo (5). A imagem viralizou, mas o acessório com chifres nunca foi usado pelos vikings históricos.
Origem do mito do capacete com chifres
Segundo Johnni Langer, professor da UFPB e membro do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos, a representação dos vikings com chifres surgiu séculos depois da Era Viking, por influência do Romantismo europeu. "No século 18, as nações estavam procurando disseminar imagens de estados fortes e marciais, então esta imagem caiu como uma luva", explica.
Os artistas escandinavos foram influenciados pela tradição alemã, que desde o século XVIII retratava guerreiros germânicos com capacetes de chifres. A imagem explodiu com as óperas de Richard Wagner, que transformaram lendas nórdicas em dramas musicais. "A partir dos anos 1870, essa imagem chega na Europa, Estados Unidos e até no Brasil", afirma Langer.
Vikings: piratas, não um povo
Na Escandinávia medieval, "viking" não designava um povo, mas uma atividade: piratas e saqueadores em expedições marítimas. Com o tempo, o termo passou a ser associado aos povos nórdicos da Noruega, Dinamarca e Suécia. Os chifres, na época, simbolizavam força e poder, não traição. Não havia um único tipo físico: "Existiam casamentos interétnicos, até com populações siberianas, asiáticas e de outros locais", diz Langer.
A invenção moderna da 'remada viking'
A coreografia que virou marca da torcida norueguesa na Copa foi criada em março de 2026 pelo professor Ole Frøystad. A ideia foi testada em amistoso contra a Suíça e depois divulgada em vídeos. Segundo Langer, não há registros históricos de remadas em comemorações: "Remar era uma atividade prática executada em navios de guerra. Não existia qualquer tipo de comemoração, ritual religioso ou festa que envolvesse remadas. Isso é uma invenção moderna".
Apesar de ser um símbolo nacional, o capacete viking e a remada são criações contemporâneas que se consolidaram no imaginário popular graças à cultura pop, como filmes, séries e histórias em quadrinhos.



