Amarildo Tavares da Silveira, bicampeão da Copa do Mundo pela seleção brasileira em 1958 e 1962, vive uma situação de abandono. Aos 84 anos, ele está internado em um hospital no Rio de Janeiro desde 2023, lutando contra o mal de Alzheimer. A família critica duramente a falta de apoio e reconhecimento por parte do futebol brasileiro.
Herói da Copa de 1962
O ex-atacante ganhou destaque mundial ao substituir Pelé na Copa do Mundo de 1962, no Chile. Com a lesão do Rei, Amarildo assumiu a camisa 10 e marcou dois gols decisivos na final contra a Tchecoslováquia, garantindo o bicampeonato ao Brasil. Apesar do feito histórico, sua trajetória é marcada pelo esquecimento.
“Amarildo é um dos grandes nomes do nosso futebol, mas hoje ninguém lembra dele. A família está sozinha nessa luta”, afirmou um amigo próximo, sob anonimato. Segundo familiares, apenas alguns ex-jogadores, como Nílton Santos e Zagallo (em vida), mantinham contato. Atualmente, poucos visitam o ídolo.
Internação e falta de apoio
Desde que foi internado, há mais de dois anos, Amarildo recebe cuidados médicos contínuos, mas a família arca com grande parte dos custos. A CBF e clubes pelos quais passou, como Botafogo e Flamengo, não ofereceram suporte financeiro ou institucional, de acordo com os parentes.
“É uma tristeza ver um herói nacional ser tratado dessa forma. Nosso pai deu tudo pelo Brasil e agora está abandonado”, desabafou o filho do ex-jogador. A situação expõe a ingratidão do futebol brasileiro com seus ídolos do passado.
Legado e memória
Amarildo marcou 15 gols pela seleção em 22 partidas. Fora dos campos, trabalhou como treinador e comentarista, mas nunca recebeu o mesmo reconhecimento de outros craques. Em 2007, foi homenageado no Maracanã, mas a cerimônia foi isolada.
Para historiadores, o caso de Amarildo reflete um padrão de abandono de ex-jogadores no Brasil. “Muitos ídolos envelhecem no anonimato, sem assistência médica ou financeira. Falta uma política de memória no futebol”, criticou o jornalista esportivo João Paulo.
Enquanto isso, a família segue na luta por dignidade. Eles pedem que a CBF e os clubes criem um fundo de amparo para ex-atletas em situação vulnerável. “Não queremos dinheiro, apenas respeito e cuidado com quem fez história”, concluiu o filho.



