Alzirão: festa de Copa no Rio começou com TV na calçada
Alzirão: festa de Copa no Rio começou com TV na calçada

O Alzirão, uma das mais tradicionais festas de Copa do Mundo do Rio de Janeiro, começou há quase cinco décadas de forma inusitada. Centenas de pessoas se reúnem na rua Alzira Brandão, na Tijuca, Zona Norte do Rio, para acompanhar a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo na tarde deste sábado (13). Muitos não imaginam que tudo começou por acaso, com uma televisão na calçada e um grupo de amigos que não queria perder um jogo do Brasil.

A história teve início durante a Copa de 1978. Segundo Ricardo Ferreira, um dos criadores da festa, o grupo assistia a uma partida da Seleção na casa de Ronaldo Saliba quando uma comemoração exagerada terminou em confusão. "Eu soltei um morteiro na casa dele, mas o morteiro, em vez de sair, entrou para dentro da casa. Furou o sofá da sala e fez alguns estragos", lembra Ricardo. "A mãe dele expulsou a gente. Aí descemos para a esquina e eu falei: 'espera que vou resolver'. Fui em casa, peguei uma televisão e ficamos assistindo ali."

A improvisação se transformou em tradição. A cada Copa, mais pessoas apareciam para acompanhar os jogos. O encontro cresceu, ganhou estrutura, shows e telões. Na década de 1990, o evento já atraía multidões e precisou se profissionalizar. "Chegou um momento em que cresceu demais. Tivemos que organizar tudo e criar uma associação com CNPJ", conta Ricardo.

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Hoje, o Alzirão é um dos símbolos das Copas do Mundo no Rio, reunindo gerações de torcedores e moradores da Tijuca que fizeram da rua uma arquibancada a céu aberto. Para Nilton Gonçalves Afonso, que acompanha o evento há anos, o sucesso está no clima criado durante os jogos. "Virou uma tradição do Rio. É uma satisfação muito grande. O mais interessante é que cria um ambiente de confraternização, amizade e respeito."

A tradição também atravessa gerações. Rafaela Bressane diz que praticamente cresceu junto com o evento. "Tenho 40 anos de idade e 40 anos de Alzirão. A expectativa é sempre acreditar que a gente pode trazer o hexa. E hoje posso trazer meus filhos para curtir isso."

Depois de quase cinco décadas, o espírito continua o mesmo daquele grupo de amigos reunido em uma esquina da Tijuca: torcer junto pela Seleção Brasileira. E, se depender dos fundadores, a tradição ainda tem muitas Copas pela frente. "Ficamos muito tristes por não termos feito em 2022", lembra Ronaldo Saliba. "Agora a alegria vai ser dobrada."

O evento chega este ano à sua 14ª edição e completa 48 anos de existência. "Nunca passamos por uma situação tão corrida quanto esta, mas vai dar tudo certo", afirma Ronaldo Saliba, um dos fundadores. "O Alzirão é uma tradição. Estamos fazendo hoje 48 anos. A peteca não pode cair."

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