Há 23 anos vivendo na Noruega, a acreana Camilla Enes já incorporou diversos hábitos do país escandinavo. O jeito mais reservado das pessoas, o respeito ao espaço pessoal e até a forma de se comportar no transporte público passaram a fazer parte da rotina. Mas, quando o assunto é futebol, ela garante que a distância do Brasil não diminuiu a paixão pela Seleção.
Confronto nas oitavas de final
Neste domingo (5), Camilla vai se reunir com amigos brasileiros para assistir ao confronto entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo, prevista para às 22h no horário do país europeu e às 17h no horário de Brasília. Já o companheiro dela, o economista norueguês Magnus Thorsen, estará do lado da seleção de casa.
Adaptação cultural
Natural do Acre, Camilla se mudou para a Noruega aos 14 anos, depois que a mãe se casou com um norueguês. Segundo ela, a adaptação ao novo país foi difícil por causa das diferenças culturais. "Nós brasileiros somos muito abertos e fazemos amizade muito rapidamente. Aqui as pessoas são muito fechadas. Essa fama de que os escandinavos são mais frios é totalmente verdadeira", contou.
Com o passar dos anos, ela percebeu que também adotou alguns costumes locais. Um deles é manter mais distância durante as conversas, algo que só notou quando voltou ao Brasil pela primeira vez após a mudança. "Me disseram que eu começava a andar para trás quando as pessoas chegavam muito perto para conversar. Eu nem percebia que já tinha adquirido esse costume", complementou.
Fidelidade à Seleção Brasileira
Apesar de já ter vivido mais tempo na Noruega do que no Brasil, Camilla afirma que nunca cogitou torcer contra a Seleção Brasileira. Pelo contrário: ela diz que a partida deste domingo tem um significado especial por causa da confiança dos noruegueses no histórico do confronto. É que em 24 de junho de 1998, a seleção brasileira perdeu por 2 a 1 para a Noruega. "Sempre que eu falo que sou brasileira, eles lembram da Copa de 1998. Dizem que o Brasil nunca ganhou da Noruega. Eles já estão comemorando e acham que vão ganhar de novo. Se isso acontecer, vou ouvir essa história pelo resto da vida", brincou.
Rivalidade familiar descontraída
O companheiro leva a rivalidade de forma descontraída. Segundo Camilla, ele deve apenas fazer algumas provocações caso a Noruega vença. Já o filho mais velho do casal, de 7 anos, escolheu acompanhar a mãe e vai torcer pelo Brasil.
Mesmo reconhecendo a qualidade da seleção norueguesa, a acreana acredita na classificação brasileira. "Acho que vai ser um jogo bem equilibrado, com muitos gols. Meu palpite é 3 a 2 para o Brasil. Espero muito que a gente ganhe", torce.



