O jornal italiano Corriere dello Sport criticou duramente a saída precoce de Paolo Maldini e Leonardo da Federação Italiana de Futebol (FIGC), ocorrida após apenas 17 dias de trabalho. Em editorial assinado pelo editor Ivan Zazzaroni, o periódico classificou a demissão como precipitada e apontou que o maior erro da dupla foi ter desistido do cargo diante das dificuldades. A notícia foi publicada no último domingo, gerando intenso debate nos bastidores do futebol italiano.
Erros na escolha do técnico
Segundo Zazzaroni, Maldini e Leonardo cometeram equívocos significativos na definição do novo comandante da seleção italiana. A dupla tentou contratar Carlo Ancelotti e Pep Guardiola, ambos indisponíveis, e acabou optando por Andrea Pirlo, nome que enfrentava forte rejeição pública e da imprensa. “Tentar trazer Ancelotti ou Guardiola era ambicioso, mas não realista. Pirlo era uma aposta que não tinha o respaldo necessário”, escreveu o editor. Apesar dos erros, Zazzaroni considera que a demissão foi desproporcional e prejudicial ao projeto da FIGC.
Falta de autonomia e pressão externa
O editorial também criticou a estrutura do futebol italiano, que, na visão do jornal, não dá autonomia aos dirigentes para implementar um plano de longo prazo. “O maior erro foi desistir”, afirmou Zazzaroni, citando a saída de Maldini e Leonardo como sintoma de um ambiente onde a pressão por resultados imediatos inviabiliza qualquer reforma. A dupla havia sido anunciada com grande expectativa para reestruturar a seleção após a eliminação na Copa do Mundo, mas a rápida demissão revela a instabilidade crônica da federação.
Repercussão e próximos passos
A saída de Maldini e Leonardo ocorreu em meio a divergências internas sobre o orçamento e a autonomia para contratações. A FIGC ainda não se pronunciou oficialmente sobre os motivos da demissão, mas fontes próximas indicam que a falta de resultados imediatos pesou na decisão. Para Zazzaroni, o futebol italiano perdeu uma oportunidade de mudança com essa saída precoce. “Em 17 dias, é impossível avaliar um projeto sério. A impulsividade é o maior inimigo do esporte no país”, concluiu o editor do Corriere dello Sport.



