HOUSTON - Os norte-americanos podem até não ter o futebol como esporte favorito, ou não compreender todas as regras, mas ganhar é uma das coisas que eles mais gostam. Isso ficou claro na Fan Fest de Houston, que exibiu a vitória dos Estados Unidos sobre o Paraguai na estreia pela Copa do Mundo nesta quinta-feira.
Torcida americana em festa
Bandeiras do país faziam até parte das roupas das pessoas, que as vestiam como capa ou estampando camisetas. A festa se tornava maior com camisas de outras seleções, a maioria latina. Torcedores se juntam em Houston para acompanhar a estreia dos EUA.
Durante o jogo, os telões ganhavam os olhares quando a bola chegava próxima da área ofensiva. Lances além disso eram secundários no evento. A pausa de hidratação do primeiro tempo, então, foi motivo para subir a música do palco e até deixar o espaço da transmissão e ir ao banheiro como se fosse de fato um intervalo.
Gols e emoção
Marcar um gol, após já estar ganhando por 1 a 0 graças ao vacilo do são-paulino Damian Bobadilla, significou quebrar certa monotonia e gritar “USA, USA, USA”, com apoio até de alemães presentes. A frustração pela anulação por Balogun estar impedido se misturou com certa incompreensão da regra. Foi possível ver algumas explicações sobre o que são as linhas entre torcedores. Pouco depois, um gol válido de Balogun inflamou novamente. A sequência foi de festa conduzida por estrangeiros, entoando a melodia de Seven Nation Army, do The White Stripes, sem grande engajamento dos americanos, que voltaram a repetir a sigla do país em inglês no terceiro gol.
O hype por Christian Pulisic, tido como melhor norte-americano da geração, foi exemplificado quando o meia fez jogada simples na lateral ofensiva para tentar driblar um marcador e tirou aplausos do público. O intervalo de fato ganhou ares de Super Bowl com DJ e dominando por hits do TikTok e dancinhas.
Segundo tempo e reações
Já no segundo tempo, o desconto paraguaio com o palmeirense Maurício chegou a ter comemoração de americanos, que logo perceberam a gafe. Os que se confundiram não pareceram se importar tanto sobre isso ou sobre a mudança no placar. “Vou ser honesto. Não acho que vamos chegar bem longe. Temos um time melhor que na última Copa. Temos Pulisic, Tillman. Nosso meio-campo está muito melhor”, avalia o estudante Kevin Vargas, vestido como um caubói, com lenço e chapéu. “Acho que, mesmo que não cheguemos até o fim, seremos fortes”, projeta ele, que acompanha futebol apenas na Copa do Mundo.
Fan fest emula estádio com preços altos e torcidas diversas
A Fan Fest é um microuniverso da Copa do Mundo. Torcedores de outras seleções também circulavam pelo espaço, que ocupa um quarteirão inteiro no centro de Houston. Entre eles, claro que também havia paraguaios.
Juan Cabreras nasceu em Assunção, na década de 1980, mas mudou-se para os Estados Unidos em 2008. Ele vive em Houston há três anos com a mulher, também paraguaia, e dois filhos, de 12 e 16 anos. “Eles se sentem mais paraguaios que eu”, conta. Juan vestia a camisa do Paraguai, mas enrolado na bandeira dos Estados Unidos. O filho mais novo, Benjamin, estava 100% identificado com o país sul-americano. “Talvez cheguemos às quartas de final. Quero que seja melhor do que em 2010”, fala Juan referindo-se à última participação paraguaia em Copas. Há 16 anos, o time caiu nas quartas para a Espanha. Juan fez questão de contar sobre outra vez que viajou aos Estados Unidos, ainda em férias, com sete anos em 1982. O motivo foi ter visto Pelé jogar pelo Cosmos, em Nova York. O torcedor do Olímpia vive o futebol na terra do soccer.
A representação de uma Copa do Mundo é vista nos preços. Uma cerveja custa U$ 13 (R$ 66). Um churrasco servido em um prato de plástico, U$ 30 (R$ 152). Ainda antes do jogo, com o sol no céu, o calor não dava trégua. Marcava 31°C em Houston. Torcedores precisavam esvaziar suas garrafas com gelo e jogá-las fora antes de entrar. A Fan Fest conta com um espaço climatizado com decoração alusiva a rodeios e uma exposição da Nasa. O Centro Espacial dos Estados Unidos fica em Houston e é de lá que a agência controla missões, como a recente Armetis 2.



