Mikel Merino entrou aos 39 minutos do segundo tempo e, seis minutos depois, marcou o gol que deu à Espanha a vitória por 1 a 0 sobre Portugal nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, no AT&T Stadium, em Arlington, nos Estados Unidos. O resultado encerra a participação de Cristiano Ronaldo em sua sexta e última Copa do Mundo.
O jogo: primeira etapa equilibrada
Os primeiros minutos confirmaram a expectativa de uma partida de disputa pela posse de bola. Quem não a tinha tentava pressionar o adversário para recuperá-la; quem dominava buscava transições rápidas. Com 10 minutos, ambos os times já haviam criado chances. João Cancelo e Cristiano Ronaldo por Portugal, e Mikel Oyarzabal, duas vezes, pela Espanha. A melhor oportunidade foi a segunda de Oyarzabal: ele recebeu cara a cara com Diogo Costa e chutou cruzado; o goleiro português foi batido, mas a bola triscou a trave e saiu. Diogo Costa ainda salvou outras três vezes no primeiro tempo.
À beira do gramado, os técnicos Luis de la Fuente e Roberto Martínez pareciam se imitar com gestos aos seus comandados. Braços erguiam-se; os pés frequentemente ultrapassavam o limite da área técnica. Até o momento de voltar ao banco e discutir ideias foi simultâneo, com auxiliares ocupando o espaço na faixa lateral.
Um torcedor mirim sentiu o melhor momento da Espanha a partir da pausa para hidratação. Com sua estridente voz infantil, entoou o ritmado canto "Cristiano Ronaldo" e conquistou companheiros de torcida para repeti-lo. Coincidência ou não, foi quando Portugal reagiu. João Félix escorou cruzamento para o camisa 7, que finalizou fraco, mas exigindo que Unai Simón saltasse para defender. O banco português levantou-se junto de Martínez e permaneceu em pé para reclamar de faltas. Dali, poderiam ter partido para a comemoração se o chute de Nuno Mendes, desviado pela defesa, não tivesse parado no travessão.
Segundo tempo de poucas chances e gol no fim
O retorno do intervalo, sem mudanças nas escalações, poderia ser uma continuação sem pausa do primeiro tempo, com intensidade desde o primeiro minuto. O problema foi que isso durou pouco. As chances ficaram menos claras; houve mais desperdício de oportunidade nos ataques dos dois times.
O duelo pessoal entre Lamine Yamal e Nuno Mendes rendeu bons lances, com superioridade do português na maioria deles. O lateral, porém, deixou a partida aos 10 minutos do segundo tempo, com dores. Desolado, ele conseguiu caminhar vagarosamente até o banco de reservas.
Cristiano Ronaldo voltou a ter uma chance, mas o cruzamento foi longo. Ele até completou, com Unai Simón tendo facilidade para defender. A Espanha perdeu espaço no ataque. A seleção portuguesa estava com desempenho melhor na defesa do que no meio. A entrada de Rafael Leão levou um tempo a ser assimilada por Portugal. Em um lance no qual ele se posicionou mal, Vitinha apontou para onde ele deveria estar no ataque. Dando razão ao colega, Leão fez com que a linha ofensiva portuguesa tivesse mais vigor para ameaçar os espanhóis.
A reação da Espanha foi voltar a atacar e empurrar o adversário para seu campo. Os possíveis contra-ataques de Portugal não se concretizavam. A paciência espanhola foi brindada aos 45 minutos da segunda etapa. Ferran Torres, que entrou aos 30, estava cercado, mas girou e encontrou Mikel Merino já dentro da área. O camisa 6 estava em campo há seis minutos. Bastou um toque para tirar de Diogo Costa.
Impacto e próximos passos
Com a vitória, a Espanha avança às quartas de final e enfrentará o vencedor de Estados Unidos e Bélgica, que se enfrentam na segunda-feira às 21h (de Brasília), em Seattle. Para Portugal, a eliminação precoce marca o fim do ciclo de Cristiano Ronaldo em Copas do Mundo. O técnico Roberto Martínez não conseguiu repetir o sucesso de João Neves e Vitinha, que não renderam como no PSG, e Cristiano Ronaldo ficou isolado no ataque.
Luis de la Fuente disse na véspera do duelo que acreditava ter os melhores jogadores do mundo e completou que Roberto Martínez deveria pensar o mesmo. Em campo, Portugal e Espanha tanto mostraram por que os treinadores podem pensar desta forma quanto por que podem estar errados.
Ficha técnica
Portugal 0 x 1 Espanha
Portugal: Diogo Costa; João Cancelo (Diogo Dalot), Rúben Dias, Renato Veiga e Nuno Mendes (Nelson Semedo); João Neves e Vitinha (Bernardo Silva); Pedro Neto (Francisco Conceição), Bruno Fernandes e João Félix (Rafael Leão); Cristiano Ronaldo. Técnico: Roberto Martínez.
Espanha: Unai Simón; Pedro Porro, Pau Cubarsí, Aymeric Laporte e Marc Cucurella; Rodri, Pedri (Fabián Ruiz) e Dani Olmo (Mikel Merino); Lamine Yamal, Mikel Oyarzabal (Borja Iglesias) e Álex Baena (Ferran Torres). Técnico: Luis de la Fuente.
Gol: Mikel Merino, aos 45 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Renato Veiga e Bernardo Silva (Portugal); Ferran Torres (Espanha).
Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra).
Público: 70.649 presentes.
Local: AT&T Stadium, em Arlington, nos Estados Unidos.



