O ministro do Esporte da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Turki AlFaisal, declarou que o reino colaborará com a FIFA para assegurar preços acessíveis dos ingressos e a proteção dos torcedores durante a Copa do Mundo de 2034. A afirmação ocorre em um contexto de instabilidade regional e das lições extraídas da edição deste ano na América do Norte, onde os custos elevados geraram críticas.
Preços dos ingressos sob escrutínio
Os valores dos ingressos, especialmente no mercado de revenda, têm sido alvo de queixas não apenas entre os fãs, mas também de parlamentares nos Estados Unidos. Eles solicitaram à FIFA que reduza os custos, que dispararam desde o torneio de 2022 no Catar. O príncipe AlFaisal ressaltou que, embora a FIFA detenha a propriedade dos ingressos e determine os preços, a Arábia Saudita atuará em parceria com a entidade para melhorar a acessibilidade. Além disso, o país ampliará a concessão de vistos para visitantes de mais nações.
“Isso é algo em que vamos trabalhar com a FIFA. Ninguém quer ver um torneio como a Copa do Mundo em que as pessoas tenham dificuldade para vir”, disse AlFaisal à Reuters. “Temos mais de 60 países cujos cidadãos podem obter vistos eletrônicos na chegada e, esperamos, mais por vir. Isso começou com um evento esportivo no reino em 2018, quando sediamos a Fórmula E. Antes disso, não tínhamos visto de turista. Já recebemos mais de 150 eventos internacionais. Todos os torcedores que vieram gostaram e acharam o acesso fácil. Essa é uma das coisas em que realmente nos concentramos para garantir que todos tenham acesso.”
Tensões regionais e segurança
A Arábia Saudita se prepara para sediar a Copa Asiática de Futebol de 2027, um teste crucial para os estádios antes da Copa do Mundo de 2034. No entanto, a guerra entre os EUA e o Irã e as tensões regionais mais amplas podem complicar os planos. O ministro enfatizou que a segurança continua sendo prioridade, destacando que os eventos esportivos não foram interrompidos durante o conflito. Ele citou o público presente nas partidas da Liga Profissional Saudita, onde a disputa pelo título foi acirrada até o fim. Cristiano Ronaldo marcou dois gols e ajudou o Al Nassr a conquistar o título na última rodada.
“Como vocês viram, mesmo durante esta situação que vivemos na região, não paramos. Continuamos a fazê-lo em um ambiente seguro”, afirmou. AlFaisal disse que o reino trabalha com agências de segurança para proteger os torcedores. “Esperamos que tudo se acalme e que o ambiente continue a melhorar para todos no futuro. Mas, se a situação ocorrer, com certeza trabalharemos para garantir que cumpramos o que for exigido de nós.”
Desafios únicos em 2034
A Copa do Mundo de 2034 será a primeira vez que um único país sediará o formato ampliado para 48 seleções, o que apresenta desafios logísticos. “Muitas coisas entram em jogo: logística, instalações, conectividade, a construção da base para o futuro do futebol no reino”, acrescentou AlFaisal.
O desenvolvimento da infraestrutura está em andamento. O Estádio Aramco está “quase 80%” concluído e deve receber partidas da Copa da Ásia em janeiro. O Estádio Rei Fahd, construído nos anos 1980, passa por reformas. “Para nós, é um estádio icônico, semelhante a Wembley ou ao Camp Nou. Por isso, preservamos a aparência e a essência do estádio, porque temos muito orgulho dele. Mas como elevar isso ao padrão da Fifa? Ele foi construído nos anos 80, então muita coisa mudou desde então e é isso que queremos preservar.”
De olho na Copa do Mundo deste ano, onde a Arábia Saudita estreia nesta segunda-feira contra o Uruguai pelo Grupo H, a equipe busca superar seu melhor desempenho, quando chegou às oitavas de final em 1994, também nos EUA. AlFaisal disse que a vitória surpreendente por 2 a 1 sobre a Argentina, que se tornou campeã, no Catar há quatro anos, elevou as expectativas. “Foi uma surpresa, vou ser honesto. É muito difícil porque eleva o nível e torna as expectativas muito maiores, o que é um desafio. Mas é um bom desafio.”



