O mercado de petróleo registrou forte queda nesta segunda-feira, com o barril do Brent recuando 4,76%, para US$ 83,17, após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã. A reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, aumentou a oferta esperada e reduziu os prêmios de risco geopolítico.
Impacto global e local
Globalmente, o acordo impulsionou o apetite por ativos de risco, mas o Brasil não acompanhou esse movimento. O Ibovespa fechou em queda de 0,42%, pressionado por preocupações com o cenário fiscal doméstico. Investidores temem a ampliação dos gastos públicos em ano eleitoral, o que pode comprometer a sustentabilidade das contas públicas.
Estreito de Ormuz e oferta de petróleo
O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para o transporte de petróleo. Com o acordo, as tensões na região diminuíram, permitindo a retomada plena do fluxo de navios petroleiros. Isso elevou as expectativas de aumento da oferta global, pressionando os preços para baixo.
Analistas destacam que, embora a queda do petróleo seja positiva para países importadores, o Brasil, como exportador líquido, pode sentir o impacto negativo na balança comercial e nas receitas de empresas do setor.
Perspectivas fiscais
No cenário doméstico, o mercado monitora de perto as discussões sobre o Orçamento e as propostas de aumento de gastos. A percepção de risco fiscal elevado tem limitado a atratividade dos ativos brasileiros, mesmo em um ambiente internacional mais favorável.
Especialistas alertam que, sem um compromisso claro com a disciplina fiscal, o país pode enfrentar pressões adicionais sobre a taxa de câmbio e os juros futuros.
O acordo entre EUA e Irã, embora positivo para a geopolítica global, não foi suficiente para reverter o pessimismo local. O Ibovespa encerrou o dia aos 128.500 pontos, com destaque para as perdas de ações ligadas a commodities e bancos.



