O Volvo FH 540 consolidou-se como o caminhão pesado mais emplacado do Brasil em maio de 2026, registrando 469 unidades comercializadas. O modelo também lidera o acumulado do ano no segmento de veículos com mais de seis toneladas, somando 2.066 emplacamentos entre janeiro e maio.
Desempenho em meio à retração do setor
O resultado positivo da Volvo contrasta com o cenário geral do mercado de caminhões pesados, que acumula queda de 13,6% nas vendas em relação ao mesmo período de 2025, conforme dados da Fenabrave, entidade que representa os concessionários de veículos. Apesar da retração, a fabricante sueca amplia sua presença, colocando quatro modelos entre os dez mais vendidos do ano e dominando as primeiras posições tanto no ranking mensal quanto no acumulado. O FH 540 responde sozinho por 12,79% de todos os emplacamentos do segmento no período.
Volvo ocupa três primeiras posições em maio
Em maio de 2026, o pódio dos caminhões pesados foi completamente dominado pela Volvo. O FH 540 liderou com 469 unidades, seguido pelo FH 500 (225 unidades) e pelo VM 360 (176 unidades). A DAF apareceu logo atrás com o XF 530 (119 unidades), enquanto a Mercedes-Benz fechou o top 5 com o Atego 2730 (115 unidades). Scania e Mercedes-Benz também marcaram presença entre os dez modelos mais vendidos do mês.
Ranking dos caminhões mais vendidos em maio de 2026
- Volvo FH 540: 469 unidades
- Volvo FH 500: 225 unidades
- Volvo VM 360: 176 unidades
- DAF XF 530: 119 unidades
- Mercedes-Benz Atego 2730: 115 unidades
- DAF XF 480: 103 unidades
- Scania R500: 77 unidades
- Mercedes-Benz Axor 2545S: 76 unidades
- Volvo FH 460: 65 unidades
- Scania G560: 54 unidades
FH 540 amplia vantagem no acumulado do ano
No acumulado de janeiro a maio de 2026, a liderança da Volvo é ainda mais evidente. O FH 540 soma 2.066 unidades, mantendo ampla vantagem sobre os concorrentes. A DAF surge como a principal rival da marca sueca, com dois modelos entre os seis mais vendidos. Mercedes-Benz e Scania completam o grupo das fabricantes com maior presença no ranking.
Ranking acumulado de janeiro a maio de 2026
- Volvo FH 540: 2.066 unidades (12,79%)
- DAF XF 530: 1.196 unidades (7,41%)
- Volvo FH 500: 1.049 unidades (6,49%)
- Volvo VM 360: 1.026 unidades (6,35%)
- Volvo FH 460: 762 unidades (4,72%)
- DAF XF 480: 714 unidades (4,42%)
- Mercedes-Benz Axor 2545S: 625 unidades (3,87%)
- Scania G560: 614 unidades (3,80%)
- Mercedes-Benz Atego 2730: 613 unidades (3,80%)
- Scania R500: 597 unidades (3,70%)
Venda de caminhões segue em retração
A liderança da Volvo ocorre em um ambiente desfavorável para a indústria de caminhões. Em maio de 2026, foram registrados 8.200 emplacamentos em todos os segmentos, queda de 5,32% em relação a abril e de 6,96% na comparação com maio de 2025. No acumulado de janeiro a maio, o total de 38.611 unidades representa uma contração de 13,64% frente aos 44.710 emplacamentos do mesmo período de 2025.
Os indicadores de confiança do transporte rodoviário mostram um ambiente menos favorável para investimentos em renovação de frota. Segundo o Índice CNT de Confiança do Transportador, apurado com empresários do transporte rodoviário de cargas de São Paulo ao final de 2025, a confiança atingiu 45,3%, o menor nível desde o início da pesquisa em 2023, 5,8 pontos percentuais abaixo do registrado no segundo semestre de 2024. O índice que mede as condições atuais da economia e dos negócios chegou a 34,3%, queda de 12 pontos percentuais em um ano.
Entre os fatores apontados pelos empresários estão a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, que encarece o financiamento de frotas por linhas como o Finame; a desaceleração da atividade industrial, que aumenta a ociosidade dos veículos e reduz as margens de operação; e a escassez de motoristas qualificados. A insegurança jurídica e as incertezas em torno da reforma tributária também aparecem como motivos de preocupação.
Renovação de frota continua represada
De acordo com dados do Renavam compilados pelo Ministério dos Transportes em dezembro de 2025, o Brasil conta com uma frota de 3,2 milhões de caminhões e mais 1 milhão de caminhões-tratores, totalizando mais de 4,2 milhões de veículos pesados em circulação. São Paulo concentra a maior frota individual do país, com 734 mil caminhões e 244 mil caminhões-tratores, totalizando quase 980 mil unidades. A região Sul aparece na sequência, com 751 mil caminhões.
O tamanho da frota brasileira indica um mercado potencial relevante para renovação nos próximos anos. No entanto, segundo os próprios transportadores, o custo do crédito continua sendo um dos principais obstáculos para a substituição dos veículos, ao lado das incertezas sobre o desempenho da economia.
Eletrificação avança lentamente
Além da desaceleração do mercado convencional, a transição para tecnologias de baixa emissão também avança em ritmo lento no segmento pesado. Em maio de 2026, apenas 28 caminhões elétricos foram emplacados no Brasil. No acumulado do ano, foram 150 unidades, exatamente o mesmo volume registrado entre janeiro e maio de 2025. Nenhum caminhão híbrido foi emplacado no mês.
O contraste com o mercado de automóveis é expressivo. Entre carros e comerciais leves, os veículos eletrificados superaram 51 mil emplacamentos apenas em maio, com crescimento de 131% na comparação com o mesmo mês de 2025. Enquanto isso, a eletrificação dos caminhões segue limitada por fatores como custo de aquisição, infraestrutura de recarga e desafios operacionais em rotas de longa distância.



