F1 2026: Disputa tripla pelo título tem menor diferença desde 2012
F1 2026: disputa tripla tem menor diferença desde 2012

A temporada de 2026 da Fórmula 1 se aproxima da pausa de meio de ano, marcada para após os GPs da Bélgica e da Hungria. Embora a Mercedes tenha confirmado o favoritismo que lhe era atribuído antes do início do campeonato, a disputa tripla pelo título de pilotos — com uma Ferrari entre as duas Flechas de Prata — esquentou nas últimas corridas e chega à décima etapa do Mundial com números que não se viam na categoria desde 2012, há 14 anos.

Classificação atualizada antes da 10ª corrida

Com o segundo lugar no GP da Grã-Bretanha no início deste mês, o vice-líder George Russell soma 154 pontos, reduzindo para 25 a distância para o líder Kimi Antonelli, que tem 179. O heptacampeão Lewis Hamilton, terceiro colocado, acumula 147 pontos, 32 atrás do jovem italiano. A última vez que a diferença entre primeiro e terceiro foi menor antes da décima corrida foi em 2012, quando 29 pontos separavam Fernando Alonso (129), Mark Webber (116) e Sebastian Vettel (100). Naquela ocasião, Vettel conquistou o título na última prova.

Desde a introdução do atual sistema de pontuação em 2010, a menor diferença antes da décima corrida ocorreu justamente na primeira temporada da mudança, com os três primeiros separados por apenas 12 pontos. Aquele ano terminou com quatro pilotos na briga pelo título na última corrida, e Vettel foi o campeão.

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Fatores que explicam o equilíbrio

Quatro pontos principais ajudam a entender o equilíbrio momentâneo na briga tripla pelo título da F1 2026.

1. Ascensão surpreendente de Antonelli

Quando a temporada de 2025 terminou, a expectativa era de que George Russell, mais experiente, seria o primeiro piloto da Mercedes e forte candidato ao título — visão compartilhada por Lando Norris, atual detentor do título. De Kimi Antonelli, de 19 anos, esperava-se evolução, mas ainda abaixo de Russell. No entanto, o italiano emplacou cinco vitórias seguidas, assumindo a liderança isolada após Mônaco e abrindo 68 pontos de vantagem sobre o companheiro de equipe. A grande fase de Antonelli foi um duro golpe para Russell, que passou a enfrentar uma ameaça interna maior do que imaginava.

2. Falhas na Mercedes

Apesar de o carro da Mercedes ser considerado o mais forte do grid, a equipe tem sofrido com problemas de confiabilidade. Antonelli abandonou o GP de Barcelona-Catalunha com uma falha elétrica e, na Grã-Bretanha, terminou em 15º com um problema na roda dianteira enquanto atacava Charles Leclerc pela liderança. Russell também enfrentou contratempos, como a quebra no GP do Canadá quando disputava a primeira posição com Antonelli, e um problema na bateria na classificação para o GP da China. As falhas abriram espaço para a principal concorrente: a Ferrari.

3. Evolução da Ferrari

A Ferrari não iniciou a temporada consolidada como segunda força — a McLaren também estava na briga. A equipe italiana só conseguiu colocar dois pilotos no pódio na quinta corrida, com o segundo lugar de Hamilton no Canadá. Desde então, a Ferrari investiu pesado em atualizações: 11 mudanças antes do GP de Miami, melhorias em Barcelona (onde venceu pela primeira vez no ano, com novas rodas traseiras) e atualização de motor na Áustria. As mudanças surtiram efeito, diminuindo a desvantagem para a Mercedes. O chefe da Mercedes, Toto Wolff, alfinetou: "eles devem ficar sem dinheiro logo", referindo-se ao teto de gastos.

4. O ressurgimento de Hamilton

Embora a Ferrari tenha evoluído como um todo, Lewis Hamilton leva vantagem no duelo interno com Charles Leclerc (147 a 108), apesar de Leclerc ter vencido a última corrida em Silverstone. A reação de Hamilton ocorre após uma temporada de 2025 sofrível, sem pódios. Alexander Albon, da Williams, disse em fevereiro que já esperava um desempenho melhor do heptacampeão, acostumado a carros mais leves. Além da adaptação ao novo carro, Hamilton trabalhou a parte mental, inspirado pela frase de um fã: "Lembre-se de quem você é". O início do ano ainda não era forte para Hamilton, que vinha atrás de Leclerc. A maré virou após o GP do Canadá, quando Lewis anunciou que deixaria de usar o simulador da Ferrari. A partir daí, emendou quatro pódios em cinco corridas, incluindo a vitória na Catalunha, consolidando-se como o principal candidato a estragar a festa da Mercedes.

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