Atleta de 16 anos de Itapetininga vai ao Mundial de OCR na Irlanda
Atleta de Itapetininga conquista vaga no Mundial de OCR

Jovem atleta do interior de SP conquista vaga no Mundial de OCR na Irlanda

Aos 16 anos, Isabelly Fernanda Fabri Sueiro, moradora de Itapetininga (SP), garantiu uma vaga na seleção brasileira de Obstacle Course Racing (OCR) e foi convocada para o Campeonato Mundial da modalidade, que será realizado em 9 de agosto em Limerick, na Irlanda. A classificação veio após ela conquistar o primeiro lugar no Campeonato Pan-Americano de 2026, disputado em Salvador (BA), em uma prova de 12 quilômetros com cerca de 40 obstáculos na categoria juvenil (14 a 16 anos).

Paixão pelo esporte começou com o pai

Isabelly contou ao g1 que a paixão pela modalidade surgiu por influência do pai, que já participava de competições. "Minha história no OCR começou acompanhando meu pai nas competições. O que inicialmente era apenas admiração pelo esporte se transformou em um propósito de vida. Hoje, meu maior objetivo é continuar evoluindo como atleta, representar o Brasil em competições internacionais e contribuir para o crescimento de uma modalidade", disse.

O que é a Corrida de Obstáculos?

A OCR combina corrida com obstáculos naturais e artificiais, exigindo resistência física, força, técnica, agilidade, equilíbrio e preparo mental. "Diferente do que muitos imaginam, não se trata apenas de correr e pular barreiras. O esporte é frequentemente comparado a um treinamento militar", apontou Isabelly. Os atletas enfrentam escalada em cordas e paredes, barras de suspensão, rastejos, travessias de equilíbrio, transporte de cargas e trechos com lama. As provas variam de 100 e 400 metros (pista ninja) a percursos de vários quilômetros, como Short Course, Standard Course e Team Course. "Além de completar o percurso, é preciso executar corretamente os obstáculos. Em muitas competições, os atletas largam com pulseiras, que são perdidas caso um obstáculo não seja concluído conforme o regulamento, podendo influenciar diretamente na classificação."

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Estreia e superação no Pan-Americano

Isabelly intensificou a preparação física no início deste ano para estrear oficialmente nas competições, conciliando treinos com os estudos — ela cursa o 2º ano do ensino médio e um curso técnico de desenvolvimento de sistemas. "O desafio é conciliar a rotina esportiva com os estudos, o que exige bastante dedicação. Manter uma rotina intensa de treinos, estudos e competições requer organização, disciplina e muito comprometimento", apontou.

Sua estreia ocorreu em uma etapa classificatória para o Pan-Americano. "Apesar de ser minha primeira experiência competindo oficialmente, encarei o desafio sabendo que estaria disputando vagas para representar o Brasil." Ela terminou em primeiro lugar, assegurando a vaga para Salvador. "Era apenas minha primeira competição oficial na modalidade competitiva e, em poucos meses de preparação, eu já havia alcançado uma classificação internacional. Aquele resultado mostrou que todo o esforço dos treinos estava valendo a pena e confirmou que eu estava no caminho certo", relembrou.

No Pan-Americano, disputou a prova Standard Course de 12 km com 40 obstáculos. "A prova representava um desafio enorme para mim. Eu havia ingressado no esporte havia menos de um ano e nunca tinha enfrentado uma distância tão longa, muito menos um percurso desse nível de dificuldade", disse Isabelly. Ela manteve o foco e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar na categoria juvenil, cerca de 50 minutos à frente da segunda colocada. "Mais do que uma classificação internacional, aquela prova representou a confirmação de que todo o esforço, dedicação e preparação tinham valido a pena. Foi também o momento em que percebi que era capaz de alcançar objetivos muito maiores do que eu mesma imaginava."

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Desafios para participar do Mundial

Com a vaga garantida, Isabelly agora enfrenta dificuldades financeiras para custear a viagem à Irlanda. O curto intervalo entre a confirmação e a competição, aliado aos altos custos, tem dificultado sua participação. Apesar disso, ela busca alternativas e afirma que a conquista já transformou sua visão sobre o futuro no esporte. "Meu objetivo agora é continuar evoluindo, disputar novos campeonatos pan-americanos, conquistar outras classificações para mundiais e, futuramente, participar de grandes competições internacionais da modalidade", ressalta. Além dos resultados, Isabelly sonha em popularizar a OCR no Brasil. "Essa classificação para o Mundial não representa o fim de uma caminhada. Ela é apenas o começo da história que ainda quero escrever dentro do esporte", concluiu.