Alpinista flagra lixo acumulado no Everest e reacende debate sobre superlotação
Alpinista flagra lixo no Everest e reacende debate sobre superlotação

Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra o acúmulo de lixo no Monte Everest, reacendendo o debate sobre a superlotação e a exploração comercial da montanha mais alta do mundo. As imagens, divulgadas pela alpinista Angelina Angelova, revelam barracas abandonadas, cilindros de oxigênio vazios e diversos resíduos espalhados no Acampamento IV, o último antes da subida ao cume.

Acampamento IV: um depósito de resíduos a 7.925 metros

Localizado a 7.925 metros de altitude, o Acampamento IV deveria ser apenas um ponto de descanso para alpinistas. No entanto, as imagens mostram que o local se transformou em um verdadeiro depósito de lixo. Barracas rasgadas, botijões de oxigênio descartados e embalagens plásticas estão espalhados por toda a área, evidenciando o impacto ambiental causado pelo crescente número de expedições.

Em seu perfil no Instagram, Angelova escreveu: "A montanha merece algo melhor. Estamos destruindo o que deveria ser um santuário natural." A alpinista, que já escalou o Everest outras vezes, destacou que a situação piorou nos últimos anos devido ao aumento do turismo de aventura.

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Exploração comercial e falta de regulamentação

Especialistas apontam que a superlotação do Everest é resultado da exploração comercial desenfreada. Agências de turismo vendem pacotes para centenas de alpinistas inexperientes, que muitas vezes abandonam equipamentos e resíduos ao longo da trilha. A falta de fiscalização e de regras claras para o descarte de lixo agrava o problema.

"O Everest se tornou um negócio lucrativo, mas o preço ambiental é altíssimo", afirma o montanhista e ambientalista Carlos Henrique. "Além do lixo, a superlotação causa congestionamentos na 'zona da morte', aumentando os riscos de acidentes."

Operações de limpeza são insuficientes

Apesar de campanhas anuais de limpeza, como a organizada pelo governo do Nepal, a quantidade de lixo acumulado supera os esforços de remoção. Em 2024, uma expedição retirou mais de 10 toneladas de resíduos da montanha, mas o problema persiste.

"Precisamos de ações mais rigorosas, como a exigência de depósitos reembolsáveis para equipamentos e a proibição de plásticos descartáveis", sugere a ambientalista Lívia Campos. "Enquanto não houver punições para quem desrespeita as regras, o Everest continuará sendo um lixão a céu aberto."

O vídeo de Angelova reacendeu o debate nas redes sociais, com milhares de pessoas pedindo medidas urgentes para preservar o Everest. A montanha, que já foi símbolo de desafio e superação, agora enfrenta uma crise ambiental que exige soluções imediatas.

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