Pompeia: série com Tom Hiddleston exagera no didatismo
Pompeia: série com Tom Hiddleston exagera no didatismo

A Disney+ lançou no Brasil a série 'Pompeia: Além do Tempo', com Tom Hiddleston, uma produção que reconstrói a cidade romana às vésperas da erupção do Vesúvio, em 79 d.C. A narrativa foge do estereótipo de peça de época recheada de clichês, mas o excesso de didatismo compromete o ritmo e o efeito dramático das cenas.

A fuga do lugar comum

O principal mérito da série está na abordagem. A produção não se contenta em mostrar Pompeia como um cenário bonito esperando a catástrofe. Ela constrói uma rotina com personagens de diferentes classes sociais, o que aproxima o espectador do drama humano. Tom Hiddleston lidera o elenco com segurança e entrega uma atuação contida, sem os trejeitos teatrais que costumam marcar as superproduções históricas.

Os diálogos, inicialmente, parecem respeitar a inteligência do público. Há espaço para silêncios e para a construção de relações que vão além dos estereótipos de herói e vilão. A direção de arte e o figurino também merecem elogios, pois evitam o brilho artificial e dão textura ao cotidiano de uma cidade que, ironicamente, só conhecemos porque foi destruída.

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O excesso de explicações

O problema aparece quando a série desconfia de sua própria narrativa. Em muitos momentos, personagens interrompem uma cena para explicar algo que o público já deduziu, seja uma informação sobre a política romana ou sobre o funcionamento dos cultos locais. Esses trechos soam como um documentário interrompendo um filme. O didatismo, claro, pode ser útil em uma produção histórica, mas aqui ele é usado sem parcimônia.

Um exemplo é a forma como o script trata a questão da escravidão e da mobilidade social. Em vez de confiar nas situações e nas reações dos personagens, a série opta por colocar explicações na boca de coadjuvantes. O resultado é que o espectador não precisa fazer nenhuma associação: tudo é entregue pronto. Isso tira parte do prazer da descoberta e torna a trama menos envolvente do que poderia ser.

Tom Hiddleston e o elenco

Tom Hiddleston, conhecido do público por Loki, do universo Marvel, imprime um tom sóbrio ao protagonista. Ele transita bem entre cenas de tensão política e momentos mais íntimos. O elenco de apoio também se destaca, especialmente as atrizes que interpretam personagens femininas com mais camadas do que o normal para o gênero. Porém, os coadjuvantes muitas vezes servem apenas como condutores de informação, um desperdício de talento.

A erupção e o impacto visual

Quem procura uma superprodução de destruição não vai se decepcionar. Quando a erupção finalmente acontece, a série utiliza efeitos especiais competentes, sem escamotear a violência do evento. Mas o que impressiona de fato é o trabalho de som e a sensação de sufocamento. O episódio final, em particular, reserva uma sequência poderosa. Mesmo aqui, no entanto, a série insiste em mostrar o nome de cada personagem e seu destino na tela, uma escolha didática que mina o impacto emocional.

Veredito

'Pompeia: Além do Tempo' é uma produção corajosa em alguns aspectos, mas conservadora em sua estrutura. Ela se afasta do lugar comum ao apostar mais na construção de personagens do que no espetáculo, o que é um acerto. Por outro lado, o didatismo constante acaba com a sutileza e atrasa o andamento da narrativa. É uma série para quem gosta de drama histórico e tem paciência com os defeitos da produção. A Disney+ acredita na atração como um carro-chefe para o gênero, mas ela fica abaixo do que poderia ser se confiasse mais em seu próprio público.

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