Como nasce uma vilã de novela? Exagero, ambição e sensualidade criam personagens inesquecíveis
Exagero, ambição e sensualidade criam vilãs de novela inesquecíveis

O visual extravagante de Pilar, personagem de Isabel Teixeira em "Quem ama cuida", é regado a excessos e reflete sua ambição desmedida. A figurinista Flávia Costa buscou inspiração em personagens excêntricas de produções internacionais para criar o estilo da vilã. Especialistas apontam que o figurino exagerado das malvadas da teledramaturgia serve para demarcar sua força e poder, contrastando propositalmente com a vulnerabilidade e os tons suaves das mocinhas.

Construção visual das vilãs

Segundo a figurinista Flávia Costa, cada detalhe do visual de Pilar foi pensado para transmitir sua personalidade dominadora. "O exagero é uma ferramenta para mostrar que ela não tem limites", explica. A caracterização das vilãs é moldada por seus objetivos narrativos: enquanto algumas usam a ostentação para intimidar, outras apelam para a sensualidade como arma de manipulação.

Historicamente, personagens marcantes como Odete Roitman (Beatriz Segall) e Carminha (Adriana Esteves) usavam a ostentação para dominar a tela. Odete, com seus tailleurs impecáveis e joias vistosas, transmitia autoridade e frieza. Já Carminha, com roupas justas e decotes, explorava a sensualidade para alcançar seus objetivos. Ambas se tornaram ícones da teledramaturgia brasileira.

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Contraste com as mocinhas

O figurino das vilãs é pensado para criar um contraste nítido com as protagonistas. Enquanto as mocinhas usam cores pastel, tecidos leves e silhuetas românticas, as vilãs apostam em cores fortes, texturas pesadas e cortes ousados. "A vilã precisa chamar atenção, ocupar espaço", afirma a especialista em moda e comportamento Mariana Santos. "Ela não passa despercebida, e isso é intencional".

Em "Quem ama cuida", Pilar usa estampas de onça, paetês e acessórios enormes, quebrando a harmonia visual das cenas. "O exagero é a marca registrada dela", diz Flávia Costa. "Cada look é uma declaração de poder". A personagem de Isabel Teixeira já conquistou o público, que ama odiá-la justamente por sua falta de escrúpulos e visual impactante.

Evolução do estereótipo

As vilãs de novela evoluíram ao longo das décadas. Nos anos 1970 e 1980, eram figuras mais unidimensionais, com visual quase caricato. Hoje, ganharam complexidade e nuances, mas o exagero no figurino continua sendo uma constante. "A vilã moderna pode ter motivações mais profundas, mas ainda precisa de um visual que a diferencie", explica o dramaturgo Carlos Alberto Soffredini.

Além do figurino, a maquiagem e o cabelo também são fundamentais. Sombras escuras, lábios marcados e penteados elaborados ajudam a construir a aura de superioridade. "A beleza da vilã é calculada para intimidar", diz o maquiador Fernando Torquatto. "Ela nunca está desleixada; cada fio de cabelo está no lugar certo".

Recepção do público

O público brasileiro tem uma relação de amor e ódio com as vilãs. Elas são essenciais para a trama, gerando conflito e tensão. "Sem uma boa vilã, a novela perde a graça", opina a telespectadora Ana Paula Costa. "A gente adora xingar a Pilar, mas também admira a ousadia dela". A personagem de Isabel Teixeira já se tornou um dos destaques de "Quem ama cuida", gerando memes e discussões nas redes sociais.

Para a figurinista Flávia Costa, o sucesso de Pilar prova que o exagero funciona. "O público espera que a vilã seja exagerada, que ela cause impacto. Se ela passar despercebida, não cumpre seu papel". Assim, a cada nova novela, as vilãs continuam a nascer dos excessos de ambição, sensualidade e, claro, figurino.

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