Uma vencedora do Prêmio Nobel de Literatura utilizou o romance "A Montanha Mágica", de Thomas Mann, como ponto de partida para uma contundente denúncia contra a misoginia. Em artigo publicado no jornal Valor Econômico, a escritora parte da premissa de que a obra-prima de Mann, publicada em 1924, já expunha as raízes do desprezo feminino que persiste até os dias atuais.
Clássico como ferramenta crítica
"A Montanha Mágica" narra a estadia de Hans Castorp em um sanatório nos Alpes suíços. Para a Nobel, a narrativa revela como as personagens femininas são frequentemente reduzidas a arquétipos ou silenciadas. "A misoginia não é um fenômeno recente. Ela está incrustada na literatura canônica, e Thomas Mann, com sua genialidade, deixou isso evidente", afirmou a autora no texto.
Paralelos com o presente
A escritora traça paralelos entre o sanatório de Mann e estruturas sociais modernas que ainda oprimem mulheres. Ela aponta que, embora a ciência e a medicina tenham avançado, o preconceito de gênero permanece enraizado. Segundo dados citados no artigo, uma em cada três mulheres no Brasil já sofreu violência de gênero. "Precisamos desconstruir esses padrões literários e sociais que perpetuam a desigualdade", acrescentou.
Reações e repercussão
O texto gerou debates entre críticos literários e ativistas. Especialistas destacam a coragem da Nobel ao usar um clássico europeu para abordar temas atuais. A revista literária "Letras" classificou a análise como "um convite à reflexão sobre o papel da mulher na literatura e na sociedade".



