Martinho da Vila foi escolhido como o homenageado da 34ª edição do Prêmio da Música Brasileira, prevista para meados de 2027. A premiação, criada por José Maurício Machline em 1987, acerta e surpreende ao selecionar o cantor, compositor e ritmista fluminense, um dos maiores nomes do samba.
60 anos de carreira em 2027
A escolha não poderia ser mais adequada: Martinho completará 60 anos de carreira em 2027. Foi em 1967 que ele debutou no palco de um festival de canção com o partido alto "Menina moça", de sua autoria. Nascido em 12 de fevereiro de 1938, em Duas Barras (RJ), o artista tinha 29 anos na época. O sucesso massivo veio dois anos depois, em 1969, com o primeiro álbum, intitulado "Martinho da Vila".
A trajetória na Vila Isabel
O apelido "da Vila" remete à sua ligação com a escola de samba Unidos de Vila Isabel, onde entrou em 1965 e, já em 1966, passou a integrar a ala de compositores. Em 1967, em parceria com Gemeu, assinou o samba-enredo "Carnaval de ilusões", o primeiro de muitos. Martinho se destacou rapidamente, tornando-se uma figura central na agremiação.
Contribuições ao samba
Ao longo de sua carreira, Martinho da Vila contribuiu para propagar o partido alto além dos quintais e terreiros cariocas e modernizou o samba-enredo, tornando-o menos caudaloso sem perder a beleza melódica e poética. Exemplos notáveis incluem "Quatro séculos de modas e costumes" (1968), "Yayá do Cais Dourado" (1969), "Onde o Brasil aprendeu a liberdade" (1972), "Sonho de um sonho" (1980) e "Pra tudo se acabar na quarta-feira" (1984).
Obra literária e ativismo
Como compositor, Martinho construiu uma obra grandiosa centrada no samba, mas com incursões por blues, choro e calango. Tradutor dos anseios e conquistas da negritude, ele também é escritor, tendo intensificado a produção literária nos últimos anos. Sempre alinhado à democracia, deu voz à luta por justiça social e igualdade racial, entronizando-se como herói da liberdade e resistência contra toda forma de opressão. Seu canto e fala pausados, no estilo "devagar devagarinho", nunca baixaram a cabeça e a voz.
Reconhecimento merecido
A música e a ideologia de Martinho da Vila sempre caminharam juntas e misturadas, o que o credencia para receber a homenagem do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira em 2027, ano que marca seis décadas de uma carreira de extrema coerência e sucesso.



