O instrumentista Luizinho Calixto, considerado um mestre da sanfona de oito baixos, revelou em entrevista ao quadro “Dedinho de Prosa”, da TV Cabo Branco, que foi incentivado a tocar pelo lendário Jackson do Pandeiro. A conversa foi ao ar neste sábado (27).
Infância e o encontro com Jackson do Pandeiro
O pai de Luizinho Calixto consertava sanfonas e, certo dia, Jackson do Pandeiro visitou sua casa. O menino, então, improvisava músicas batendo no assento da cadeira. “Eu tirava um forró do assento da cadeira, que era um pedaço de madeira, e no estofado, e eu fazia dele como se fosse uma sanfona. Nesse período, o Jackson esteve lá em casa, que já era amigo do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos, e me pediram para tocar uma música para o Jackson. Aí eu toquei, ele ouviu, aí disse: ‘Vocês invistam nesse moleque, que ele tem potencial’”, contou Luizinho.
Encontro com Luiz Gonzaga e o presente inesquecível
Um dos momentos mais marcantes da vida do sanfoneiro envolveu o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Calixto tocava o acordeão de um amigo em um escritório quando Gonzaga entrou e sentou-se à sua frente. Ao perceber quem era, o paraibano parou de tocar. “Ele disse: ‘mas, rapaz, você já parou? Dá um bom toque, toque’. Eu falei: ‘mas Seu Luiz, eu não sou acordeonista, eu toco sanfona de oito baixos’”, contou. Gonzaga insistiu e elogiou o músico: “Dos últimos sanfoneiros que eu ouvi tocar... Ultimamente, você é a revelação”.
Meses depois, Luiz Gonzaga ligou para Calixto em Fortaleza e o presenteou com uma sanfona. Emocionado, o instrumentista perguntou o que poderia fazer para agradecer. “Ele disse: ‘Quando você chegar em casa, reza um Pai Nosso e uma Ave-Maria para mim, que eu estou precisando’”, relatou. Calixto cumpriu o pedido ao lado da esposa, rezando um terço em agradecimento.
O velório do Rei do Baião
O músico revelou que, após esse episódio, só voltou a chegar perto do Rei do Baião no velório do artista, mas não teve coragem de olhar para o corpo. A emoção ainda é visível ao recordar a generosidade do ídolo.



