João Bosco celebra 80 anos com álbum 'Horda' ao lado da NDR BigBand
João Bosco lança 'Horda' ao vivo com NDR BigBand aos 80

João Bosco lança em 3 de julho o álbum 'Horda', gravado ao vivo em julho de 2025 em Hamburgo com a orquestra alemã de jazz NDR BigBand, sob arranjos e regência do trombonista Rafael Rocha. O disco é o primeiro de dois projetos comemorativos dos 80 anos do cantor e compositor mineiro, completados em 13 de julho.

Um disco de afro-jazz-brasileiro

Com capa que exibe pintura de Joachim Kühn, de 1999, 'Horda' ganha edição em CD na Europa e Ásia via Enja Records, mesma gravadora que lançou 'Senhoras do Amazonas' (2008), primeiro álbum de Bosco com a big band. No Brasil, o álbum estará disponível apenas em formato digital, com 12 faixas que Bosco conceitua como 'afro-jazz-brasileiro'.

Faixas longas e simbiose musical

A faixa-título 'Horda' (João Bosco e Francisco Bosco, 2020), com mais de sete minutos e meio, exemplifica a fusão entre a orquestra e o cancioneiro de Bosco, que mescla samba carioca, barroco mineiro e tradições africanas. A swingueira já se destaca na abertura com 'Abricó de macaco' (João Bosco e Francisco Bosco, 2020).

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Primeira regência brasileira na NDR BigBand

Pela primeira vez, a NDR BigBand foi conduzida por um maestro brasileiro, Rafael Rocha, que também assina os arranjos. A orquestra conta com seis trombonistas, seis saxofonistas e quatro trompetistas, além do baterista convidado Kiko Freitas, do violão de Bosco e do piano jazzístico de Florian Weber.

'Incompatibilidade de gênios' (João Bosco e Aldir Blanc, 1976) ganha introdução pianística de Weber antes de cair no samba suingado, com mais de sete minutos. 'Este álbum também é uma homenagem aos grandes criadores de grooves inesquecíveis. Miles Davis, John Coltrane, João Gilberto e Tom Jobim...', sintetiza Bosco no encarte.

Releituras e novidades no repertório

'Horda' traz a primeira regravação de 'Samba sonhado' (João Bosco e Francisco Bosco, 2024), inspirada na bossa de João Gilberto. Músicas como 'Holofotes' (João Bosco, Antonio Cicero e Waly Salomão, 1990) se revitalizam no universo jazzístico sem perder o balanço. Nem tudo é suingue: 'Transversal do tempo' (João Bosco e Aldir Blanc, 1976) surge como balada jazzística, e 'Caça à raposa' (João Bosco e Aldir Blanc, 1974) mantém a tensão de canção de resistência da época da ditadura.

'Mano que zuera' (João Bosco e Aldir Blanc, 2017) reforça a sensação de aglomeração, enquanto 'Cabeça de nego' (João Bosco e Aldir Blanc, 1986) transita entre samba e jongo, sinalizando a identidade da obra de Bosco. Ao lado de 'Água, mãe água' (João Bosco, 1994), a faixa evoca as figuras de Clementina de Jesus e Pixinguinha, elos do Brasil com a África.

Um marco na carreira de João Bosco

Com 54 anos de carreira desde a projeção nacional em 1972, Bosco celebra os 80 anos com 'Horda', um álbum que exige fruição atenta, com faixas em torno de sete minutos, incluindo um prelúdio erudito antes de 'Sinhá' (João Bosco e Chico Buarque, 2011). A obra reafirma a coerência e qualidade de seu cancioneiro em exuberante fricção com a NDR BigBand.

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