O músico Clemente, uma das figuras mais emblemáticas do punk rock brasileiro, superou graves problemas de saúde e está de volta com novos projetos. Após enfrentar um período crítico, que incluiu uma pneumonia severa e complicações decorrentes de um diabetes tipo 2, o vocalista e guitarrista das bandas Inocentes e Plebe Rude retomou suas atividades artísticas.
O histórico de saúde e a superação
Clemente, de 63 anos, passou por uma internação de emergência em 2025 devido a uma pneumonia que quase o levou à morte. O quadro foi agravado pelo diabetes descontrolado, que exigiu mudanças radicais em seu estilo de vida. “Dinheiro sempre foi um problema no punk, mas a saúde virou a prioridade. Tive que aprender a me cuidar”, afirmou o músico em entrevista ao Eu &. Durante o tratamento, ele perdeu cerca de 20 quilos e adotou uma dieta rigorosa, além de prática regular de exercícios.
O músico também revelou que chegou a ter medo de não conseguir mais tocar guitarra devido à fraqueza muscular. “Foram meses de fisioterapia e adaptação. Mas a vontade de fazer música falou mais alto”, completou.
Novos projetos e retorno aos palcos
Com a saúde recuperada, Clemente anunciou uma série de shows com os Inocentes, incluindo uma apresentação no festival Lollapalooza Brasil em 2027. A banda também está finalizando um novo álbum, o primeiro em mais de uma década, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2026. “O som continua o mesmo: crítico e direto. Mas a letra agora tem um olhar mais maduro sobre a vida”, explicou.
Além disso, está em produção um documentário sobre sua trajetória, dirigido pelo cineasta Paulo Sacramento, que acompanha a turnê de retorno. O filme deve estrear em festivais de cinema em 2027.
O legado do punk e a relação com o dinheiro
Para Clemente, o punk sempre foi um movimento de contestação, e o dinheiro nunca foi o foco. “A gente fazia música por raiva, por necessidade de expressão. Nunca pensamos em enriquecer”, relembra. No entanto, ele reconhece que a falta de recursos sempre foi um obstáculo: “Muitos amigos talentosos desistiram porque não conseguiam se sustentar com a arte.”
Apesar das dificuldades financeiras ao longo da carreira, Clemente afirma que o maior ganho foi a liberdade criativa. “O punk me deu voz. E essa voz não se cala mesmo com a idade”, conclui.



