Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, autor de sucessos como "Pantanal", "Renascer", "Sinhá Moça" e "O Rei do Gado", teve uma trajetória de superação antes de se consolidar como escritor de novelas. Aos 29 anos, em 1942, perdeu o pai, Otávio Barbosa, e precisou sustentar a família.
Primeiros empregos e mudança para São Paulo
Benedito era o mais velho entre cinco irmãos. Sua mãe, Aurora Medeiros, não tinha condições de sustentar a família sozinha. O primeiro emprego do autor foi como auxiliar de guarda-livros. Sem perspectivas no interior do estado, mudou-se sozinho para São Paulo, onde estudava à noite e trabalhava durante o dia. Tempos depois, trouxe a família e passaram a morar em um cortiço no bairro do Bom Retiro.
Para complementar a renda, Benedito trabalhou como vendedor de verduras na feira e faxineiro em um banco. Com seus conhecimentos de contabilidade, conseguiu um emprego no Banco de Boston. Posteriormente, voltou para a área comercial e trabalhou em um escritório em Maringá, no Paraná.
Carreira no jornalismo e primeiro romance
Em 1954, Benedito Ruy Barbosa passou em um concurso do jornal Estado de S. Paulo e foi contratado como revisor. Trabalhou também nos jornais Última Hora, Gazeta Esportiva e na Rádio Propaganda. Enquanto estava no Paraná, escreveu seu primeiro romance, "Fogo frio", que se tornou uma peça de sucesso. Isso lhe rendeu um convite para trabalhar como roteirista na agência J. W. Thompson, onde passou a cuidar de todas as novelas patrocinadas pela Colgate-Palmolive.
"Foi um período de muito aprendizado e dedicação", disse Benedito em entrevista ao jornal O Globo. A partir daí, sua carreira deslanchou, criando universos para diferentes emissoras.
Legado e falecimento
Benedito Ruy Barbosa faleceu na manhã de terça-feira (7), aos 95 anos, devido a complicações de insuficiência renal crônica. Suas últimas aparições públicas foram ao lado de um amigo e de sua filha. Ele deixa um legado de novelas marcantes, como "Renascer" (1993), "O Rei do Gado" (1996) e "Terra Nostra" (1999), que continuam sendo referência na teledramaturgia brasileira.



