Morre Carlo Ginzburg, pioneiro da micro-história, aos 87 anos
Morre Carlo Ginzburg, pioneiro da micro-história

O mundo intelectual perdeu uma de suas mentes mais brilhantes. Carlo Ginzburg, historiador italiano de renome internacional e pioneiro da chamada micro-história, faleceu nesta terça-feira, 17 de junho de 2026, aos 87 anos. A notícia foi confirmada por sua família, que não divulgou a causa da morte.

Legado intelectual

Nascido em Turim, em 1939, Ginzburg era filho do escritor Leone Ginzburg e da escritora Natalia Ginzburg. Sua carreira acadêmica foi marcada por uma abordagem inovadora, que buscava compreender a história a partir de perspectivas marginais e de pessoas comuns, em vez de focar apenas em grandes eventos e figuras proeminentes. Essa metodologia ficou conhecida como micro-história.

Obras fundamentais

Ginzburg é autor de diversas obras que se tornaram referência. Seu livro mais famoso, O Queijo e os Vermes: O Cotidiano e as Ideias de um Moleiro Perseguido pela Inquisição (1976), é um marco da micro-história. A obra investiga a vida de Domenico Scandella, conhecido como Menocchio, um moleiro do século XVI julgado pela Inquisição por suas ideias heréticas. Outros trabalhos importantes incluem Os Andarilhos do Bem: Feitiçaria e Cultos Agrários nos Séculos XVI e XVII (1966) e Mitos, Emblemas, Sinais: Morfologia e História (1986).

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Contribuições à historiografia

Além de suas pesquisas, Ginzburg foi professor em universidades prestigiadas, como a Universidade de Bolonha, a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e a Escola Normal Superior de Pisa. Sua influência se estende por diversas áreas do conhecimento, incluindo história cultural, antropologia e crítica literária.

Reconhecimento internacional

Ao longo de sua carreira, Ginzburg recebeu inúmeros prêmios e honrarias, incluindo o Prêmio Balzan em 2010 e o doutorado honoris causa por várias universidades. Seu trabalho continua a inspirar historiadores e pesquisadores em todo o mundo.

Reações

Nas redes sociais, colegas e admiradores prestaram homenagens. O historiador inglês Simon Schama escreveu: 'Carlo Ginzburg nos ensinou a ouvir as vozes silenciadas do passado. Sua partida é uma perda imensurável.' Já a Universidade de Bolonha emitiu nota de pesar, destacando o 'legado indelével' do professor.

Carlo Ginzburg deixa esposa, filhos e netos. O velório será realizado em Turim, com data a ser confirmada.

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