A renomada escritora argentina Mariana Enriquez, ícone do terror latino-americano, concedeu entrevista exclusiva na qual aborda temas como sua mudança para a Austrália, o mito de uma Argentina 'europeia' e a função social da literatura. Sobre esta última, foi categórica: 'Nenhuma'.
Mudança para a Austrália e novos horizontes
Enriquez revelou detalhes de sua recente mudança para a Austrália, um movimento que, segundo ela, representa uma busca por novos ares e perspectivas. A escritora, conhecida por suas narrativas sombrias e perturbadoras, destacou como o ambiente australiano tem influenciado seu processo criativo.
O mito da Argentina 'europeia'
Em relação à percepção de que a Argentina seria um país 'europeu' na América do Sul, Enriquez desconstruiu essa ideia, apontando suas raízes coloniais e excludentes. Para ela, esse mito ignora a diversidade étnica e cultural do país, além de reforçar preconceitos.
Copa do Mundo e rivalidade com a Espanha
'Obcecada' pela Copa do Mundo, a escritora não escondeu sua torcida pela derrota da Espanha. 'Os argentinos são soberbos, mas os espanhóis estão piores', afirmou, revelando uma rivalidade que vai além do futebol.
Função social da literatura: 'Nenhuma'
Questionada sobre o papel social da literatura, Enriquez surpreendeu ao responder 'nenhuma'. Para ela, a literatura não tem obrigação de ser útil ou transformadora; sua função é simplesmente existir e provocar sensações no leitor.
A entrevista também abordou questões existenciais, como a percepção do corpo e da morte. 'Quando já não podemos nos reproduzir, é como se a vida já não tivesse sentido. O corpo parece avisar que a morte está chegando', refletiu.



