O legado de Marilyn Monroe
Marilyn Monroe foi encontrada morta na madrugada de 4 para 5 de agosto de 1962. Sua última entrevista, concedida à revista Life em 1962, revelou sua busca pela verdade: "A verdade raramente vem à luz. Normalmente, circulam as mentiras... É difícil saber por onde começar se não for com a verdade." Norma Jeane Mortenson, seu nome de batismo, nasceu em 1º de junho de 1926, completando 100 anos em 2026. Morreu aos 36 anos, deixando uma vida de contrastes. Adorada mundialmente, enfrentou problemas psicológicos e emocionais, atribuídos à infância e ao peso da fama. Sua morte, classificada como "provável suicídio", gerou boatos e teorias da conspiração que persistem.
A investigação de Anthony Summers
Em 1982, o procurador do distrito de Los Angeles reabriu o caso. O jornalista Anthony Summers viajou do Reino Unido à Califórnia para investigar. "Logo me dei conta de que a história era muito mais ampla e complicada do que eu pensava", disse à BBC News Mundo. Summers entrevistou mais de 700 pessoas, incluindo a governanta Eunice Murray e a família do psiquiatra Ralph Greenson. Publicou em 1985 o livro "Marilyn Monroe, a Deusa: as Vidas Secretas", base para o documentário da Netflix "O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas" (2022). "Não encontrei nada que me convencesse de que ela foi assassinada, mas encontrei provas de que as circunstâncias da sua morte foram deliberadamente encobertas", afirma Summers, sugerindo ligações com os irmãos Kennedy.
Relação com os Kennedy
O mistério envolve o suposto relacionamento de Monroe com John e Robert Kennedy. Summers confirmou com fontes que Monroe e os Kennedy frequentavam a mansão de Peter Lawford, em Malibu. Detetives e ex-agentes do FBI afirmam que eles eram espionados. Casas de Monroe e Lawford tinham microfones instalados por forças de segurança e grupos mafiosos. Summers teve acesso a arquivos do FBI que mostravam investigação sobre Monroe por suposta ideologia de esquerda, preocupando os Kennedy por segurança. Isso teria levado ao rompimento de contatos. Uma gravação de escuta telefônica revelou Monroe dizendo a Lawford: "Eu me sinto usada. Sinto-me um pedaço de carne. Sinto que me passaram de um para outro." Não era coração partido, mas sensação de ter sido enganada.
Teorias de assassinato
A ideia de Monroe como figura incômoda para os Kennedy alimentou teorias de assassinato. Summers afirma não haver provas: "Para sugerir que alguém foi assassinado, você precisa ter alguma prova — e essa prova não existe." Mas as evidências da noite de sua morte indicam uma história inventada. A versão oficial: a governanta viu luz às 3h de 5 de agosto, chamou o psiquiatra, que a viu morta e quebrou o vidro. Summers coletou testemunhos diferentes: Nathalie Jacobs lembrou que seu marido foi avisado de uma emergência por volta das 22h ou 23h de 4 de agosto. O médico legista Thomas Noguchi determinou a hora provável da morte como 23h ou meia-noite de 4 de agosto. Summers descobriu que uma ambulância foi enviada à casa, ajudando a reconstruir os horários. Ele concluiu que houve engano, mas não assassinato. A autópsia não encontrou lesões ou injeções, apenas comprimidos para dormir. "Parecia totalmente possível que ela tivesse morrido por overdose acidental ou suicídio. Se quisesse se suicidar, esperaria um bilhete, o que não houve."
Novas revelações
Summers acrescentou o testemunho do cabeleireiro Sydney Guilaroff, que disse que Monroe ligou para ele às 21h30 da noite da morte, parecendo letárgica e incomodada, sentindo-se rodeada de perigos e traída por homens poderosos. Ela afirmou que Robert Kennedy a visitou e discutiu com ela. A governanta também disse a Summers que Kennedy a visitou naquela tarde e houve discussão acalorada. Summers acredita que Kennedy precisava sair da cidade e o atraso no informe da morte pode ter servido para garantir que ele já tivesse ido. Robert Kennedy nunca reconheceu ter estado em Los Angeles naquele dia.
Fascinação que perdura
Aos 100 anos de seu nascimento, Marilyn Monroe permanece fascinando o mundo. Sua imagem está em toda parte, de Connecticut ao Congo. Summers espera que as futuras gerações a vejam como uma pessoa real: "Ela foi muito mais do que um ícone. Era uma mulher brilhante, ótima atriz, lia muito, sabia sobre política. Era inteligente, submetida a uma pressão quase insuportável. No fim, essa pressão a matou." Suas últimas palavras ao jornalista Richard Meryman refletem esse desejo: "Por favor, não me transforme em uma piada. Não me importo que façam piadas, mas não quero parecer que sou uma. Quero ser uma artista, uma atriz com integridade."



