Katy Perry critica Trump por uso de 'Firework' em vídeo de bombardeio
Katy Perry critica Trump por uso de 'Firework' em vídeo militar

A cantora Katy Perry utilizou sua conta no X (antigo Twitter) para expressar forte indignação contra o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo uso não autorizado de sua música de sucesso 'Firework' em um vídeo oficial divulgado pela Casa Branca no TikTok. O trecho de nove segundos mostrava um bombardeio a uma estrutura iraniana, com a letra 'Boom, boom, boom! Even brighter than the moon!' ao fundo.

A indignação de Katy Perry

Em uma declaração pública, Perry afirmou: 'Estou profundamente horrorizada e irritada em ver “Firework” sendo usada pela conta de TikTok da Casa Branca como música de fundo de um vídeo de ataques militares. Eu não aprovei isso, não fui perguntada e certamente não concordo com isso.' A cantora reforçou que compôs a canção em 2010 como um hino de superação e esperança, e não como trilha para violência.

Ela prosseguiu: 'Escrevi essa música para ser um símbolo de esperança, cura e força interior para pessoas passando por seus momentos pessoais mais sombrios. Ver uma mensagem de autoestima e empoderamento ser usada como trilha sonora de destruição e violência é uma completa violação de tudo que a minha música representa. Minha música é feita para trazer união às pessoas, não para celebrar a guerra.' Até o momento, nem Donald Trump nem a Casa Branca se pronunciaram sobre a polêmica.

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O histórico de críticas de artistas a Trump

Esta não é a primeira vez que o governo Trump enfrenta reações negativas de artistas pelo uso não consentido de músicas. Em dezembro de 2025, Sabrina Carpenter criticou a administração por utilizar sua canção 'Juno' em um material audiovisual de cunho anti-imigração. Na ocasião, Carpenter classificou o vídeo como 'maligno e nojento'. Em março de 2026, foi a vez de Kesha condenar o uso de 'Blow' como fundo musical para um bombardeio militar a um navio.

Vale notar que, há cerca de 14 anos, a própria Katy Perry lançou o clipe de 'Part Of Me', que aborda uma temática militar. No vídeo, uma mulher termina um relacionamento e se alista no exército, passando por treinamentos e manuseio de armas. No entanto, a produção não exibe mortes ou ataques contra outras pessoas, mantendo um tom mais focado na superação pessoal do que na glorificação da guerra.

Contexto político e militar

O vídeo em questão foi publicado em um momento de tensões elevadas entre os Estados Unidos e o Irã. O Pentágono havia suspendido as operações de bombardeio contra o Irã após 13 noites de ataques cada vez mais intensos, e não houve relatos de ataques de Teerã contra seus vizinhos naquele fim de semana. A utilização de uma música pop conhecida como 'Firework' em meio a imagens de destruição gerou uma onda de críticas não apenas de Perry, mas também de fãs e ativistas que consideraram a escolha inapropriada.

Trump, por sua vez, tem histórico de usar músicas de artistas sem permissão em eventos de campanha e vídeos oficiais. A prática já gerou processos e queixas de nomes como Neil Young, Rihanna e os Rolling Stones. A recorrência dessas situações levanta questões sobre os limites legais e éticos do uso de obras artísticas em contextos políticos, especialmente quando a mensagem original é distorcida.

Impacto e repercussão

A declaração de Katy Perry rapidamente viralizou nas redes sociais, com milhares de compartilhamentos e comentários. Muitos apoiadores da cantora elogiaram sua postura firme contra a apropriação indevida de sua arte. Por outro lado, apoiadores de Trump criticaram a artista, acusando-a de desrespeitar as forças armadas. A cantora, no entanto, manteve sua posição, enfatizando que 'Firework' foi criada para inspirar e unir, não para celebrar ataques militares.

Especialistas em direitos autorais apontam que, embora o governo dos EUA possa invocar o 'fair use' em alguns casos, o uso de uma música completa em um contexto que distorce seu significado pode ser contestado judicialmente. Até o momento, não há informações sobre uma possível ação legal por parte de Perry ou de sua gravadora.

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