Teatro Amazonas e Theatro da Paz são Patrimônio Mundial da Unesco
Teatros da Amazônia na lista da Unesco

O reconhecimento do Teatro Amazonas, em Manaus, e do Theatro da Paz, em Belém, como Patrimônio Mundial da Unesco pode ampliar a visibilidade da história da Amazônia, fortalecer o turismo e incentivar atividades culturais na região. A candidatura conjunta dos "Teatros da Amazônia" foi aprovada nesta segunda-feira (27) pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, durante reunião na Coreia do Sul. Com a decisão, os dois espaços integram agora a lista de Patrimônio Mundial Cultural ao lado de outros locais brasileiros como o Plano Piloto de Brasília, o Cais do Valongo (RJ) e os centros históricos de Olinda e Salvador.

Impacto no turismo e na cultura local

Para a cineasta Ana Lígia Pimentel, o título internacional pode despertar maior interesse pela história do Amazonas e atrair visitantes. "Esse reconhecimento da Unesco é necessário, fundamental e que seja exemplo para que muitas pessoas tenham interesse na história do Amazonas, na história da Amazônia. Tenham interesse em vir para cá e saber o que aconteceu com o teatro, o quão emblemático é o Teatro Amazonas. Então, acho que é muito importante, vai abrir muitas portas para o turismo e para a questão cultural", afirmou. Ela destacou que o espaço já mantém programação permanente de espetáculos e visitas técnicas, com profissionais de diversas áreas. "O teatro está aí funcionando praticamente todos os dias com grandes espetáculos, com visita técnica, com grandes profissionais trabalhando, então a gente tem toda uma cadeia, todo um ecossistema cultural fortíssimo dentro", disse a cineasta.

Valorização de histórias invisibilizadas

A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas, Beatriz Calheiro, ressaltou que o reconhecimento amplia o debate sobre a história da Amazônia durante o ciclo da borracha. Segundo ela, além da preservação dos prédios históricos, a conquista ajuda a valorizar a participação de trabalhadores da floresta, seringueiros e povos indígenas na construção desse período. "Os teatros da Amazônia foram reconhecidos como patrimônio cultural pela Unesco. É uma história compartilhada de duas casas de ópera que viveram um período de transformação econômica, política e cultural na região. Esse reconhecimento também é um convite para refletirmos sobre histórias que foram invisibilizadas, principalmente dos trabalhadores da floresta, dos seringueiros e dos povos originários, cujo conhecimento foi fundamental", afirmou Calheiro.

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Teatros como símbolos do ciclo da borracha

O presidente da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Cândido Jeremias, afirmou que o título internacional reforça a importância histórica do teatro e pode ampliar o interesse turístico pela região. "É importante dizer que não é a só a parte arquitetônica, tem toda uma história construída no ciclo da borracha, todas as dificuldades colocadas na época. E hoje, um teatro completamente ativo com apresentações, espetáculos. E com certeza, com essa candidatura traremos mais uma visão do mundo para a Amazônia. Importante dizer que muitos turistas com certeza vão vir para a nossa região", declarou. Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, aberto em 1878, em Belém, foram construídos durante o período de crescimento econômico impulsionado pela exploração da borracha. As duas casas de ópera passaram a receber companhias europeias e se tornaram símbolos da transformação urbana da região.

Candidatura conjunta e primeiro patrimônio da Região Norte

A proposta de reconhecimento foi apresentada pelo Iphan, em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com apoio das secretarias de Cultura do Amazonas e do Pará. Segundo o Iphan, os dois teatros representam um mesmo projeto de modernização urbana impulsionado pelo ciclo da borracha e pela aproximação da Amazônia com circuitos comerciais e culturais internacionais. Com a inclusão dos Teatros da Amazônia, a Região Norte passa a ter seu primeiro patrimônio cultural reconhecido pela Unesco, um marco histórico para a região.

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