O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), anunciou nesta sexta-feira a criação de uma estátua em homenagem a Tata Tancredo, sacerdote da umbanda e incentivador das celebrações de Ano Novo de matriz africana. A medida ocorre após controvérsia envolvendo a montagem de um palco gospel no Réveillon de Copacabana, que gerou acusações de intolerância religiosa e levou o Ministério Público Federal (MPF) a abrir investigação.
Em publicação na rede social X, Paes pediu desculpas caso tenha ofendido praticantes de religiões de matriz africana e reafirmou seu compromisso com a diversidade religiosa. “Quero reafirmar, de forma muito clara, meu compromisso com o povo de axé e com as religiões de matriz africana”, escreveu. O prefeito também afirmou que vai dialogar com lideranças religiosas para definir a melhor forma de realizar a homenagem.
A estátua homenageará Tancredo da Silva Pinto, o Tata Tancredo, descrito pelo historiador Luiz Antonio Simas como “líder religioso, sambista e personagem fundamental da cultura do Rio de Janeiro”. A tradição da virada do ano à beira-mar tem origem em práticas das religiões de matriz africana e foi incentivada por ele. Com o tempo, os ritos tradicionais perderam espaço para o grande espetáculo turístico, mas seguem sendo realizados em outras datas e locais.
A polêmica começou após críticas do professor e babalawô Ivanir dos Santos, que apontou falta de tratamento igualitário às religiões no evento. Paes inicialmente rebateu, afirmando que “o povo cristão também tem direito a celebrar”. Depois, voltou atrás e pediu desculpas. O prefeito também recorreu a uma ferramenta de inteligência artificial para analisar a programação musical, concluindo que o gospel representa 6,25% das apresentações nos 13 palcos da cidade.
Tata Tancredo será também enredo da escola de samba Estácio de Sá no carnaval de 2026. A promessa da estátua busca valorizar a ancestralidade africana e reafirmar o compromisso da cidade com a liberdade religiosa.



