Sereia da Ponta d'Areia renasce em homenagem à filha do escultor
Sereia da Ponta d'Areia renasce em homenagem à filha do escultor

A Praça Pôr do Sol, na Ponta d'Areia, em São Luís, recebeu a recriação da sereia, símbolo cultural da região. A imagem, que estava perdida há décadas, retornou ao local em uma escultura do artista maranhense José Eduardo Sereno, conhecido como Sereno. O autor decidiu transformar a saudade coletiva em uma homenagem pessoal, esculpindo no rosto da sereia as feições de sua filha, Gabrielle Sereno.

Para Sereno, o desafio foi equilibrar o peso histórico do antigo monumento com uma visão artística atual, fugindo da ideia de uma simples réplica. Gabrielle, bacharel em Direito e empreendedora, conta que o sentimento inicial foi de surpresa, seguido por uma felicidade indescritível e gratidão eterna ao pai. Ela revela que essa tradição de afeto já faz parte do portfólio do pai: a estátua de Iemanjá, na Praia do Olho d'Água, também traz os traços de outra irmã.

José Eduardo Sereno é escultor maranhense com reconhecimento nacional e internacional, com obras espalhadas pelo Brasil e exterior. Também engenheiro civil e arte-educador, o artista integra conhecimento técnico e sensibilidade estética em suas criações. Para ele, a nova sereia vai além da estética e carrega elementos simbólicos que representam a identidade local, como força, delicadeza e espiritualidade da mulher maranhense.

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A Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra-MA) destaca o papel simbólico da escultura dentro do projeto de revitalização da Praça do Sol. A sereia foi estrategicamente posicionada entre a Passarela do Coco e a esplanada, com vista para o pôr do sol, assumindo a função de marco urbano. A concepção prioriza o caráter democrático e inclusivo, permitindo o contato direto do público com a arte e reforçando o sentimento de pertencimento.

Antes da atual escultura, a Praça do Sol abrigou outra sereia, criada pelo ex-frade italiano Luigi Dovera e inaugurada em 25 de setembro de 1983. Durante intervenções urbanas na década de 1980, a escultura foi retirada e permaneceu desaparecida por mais de 30 anos. Em janeiro de 2019, a cauda do monumento ressurgiu na orla marítima, indicando que a obra possa ter sido destruída. A nova sereia mantém viva a memória da anterior, estabelecendo continuidade simbólica entre passado e presente.

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