Rota Turística no Quilombo Kalunga Oferece Cachoeiras e Cultura no Cerrado
Rota Turística no Quilombo Kalunga Oferece Cachoeiras e Cultura no Cerrado

No coração do Cerrado, em meio à Chapada dos Veadeiros, o quilombo Kalunga tornou-se um exemplo de gestão de Turismo de Base Comunitária no Brasil. A comunidade Engenho II, localizada a cerca de 27 km da cidade de Cavalcante, destaca-se pela facilidade de acesso e pioneirismo. A rota turística conta com cachoeiras de água cristalina, paisagens exuberantes e trilhas na natureza, guiadas pelos próprios Kalungas.

Os guias são membros da comunidade, que montaram infraestrutura para receber visitantes. Atualmente, o quilombo possui mais de 400 condutores treinados e credenciados na Associação Quilombo Kalunga (AQK). No território do Engenho II, estão três cachoeiras: Santa Bárbara, Capivara e Canduru. Os turistas podem explorar as matas do Cerrado, além de desfrutar da culinária Kalunga, produtos da agricultura familiar, serviços de transporte, internet, banheiros e camping.

Em entrevista ao G1, a guia Júlia Paulino dos Santos, de 24 anos, destacou a importância do turismo para a comunidade: “Hoje em dia, 75% da renda é vinda do turismo. Tudo gira em torno do turismo. Eu acredito que se não tem turista, não tem dinheiro”. Nascida e criada no Engenho II, Júlia é guia há quatro anos. As refeições são preparadas com ingredientes cultivados localmente, em fogão a lenha, servidas em construções de barro com cobertura de palha.

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A comunidade oferece opções de pousada para pernoite, onde visitantes podem ouvir anciãos e conhecer a história local ao redor de fogueiras. As tradições incluem folias com bandeiras e instrumentos, momentos de pagamento de promessas e agradecimento. A dança da Sussa, de origem africana, é um símbolo de gratidão e celebração comunitária, ensinada de geração em geração. A professora Eva Lúcia, de 32 anos, aprendeu a dançar com a mãe e afirma: “A Sussa é um meio de a gente estar demonstrando nossa força, nossa resistência”.

Os visitantes podem comprar lembranças artesanais, medicinais e alimentos na loja comunitária. A visita a cada cachoeira dura cerca de três horas, com esforço físico leve a moderado, e é permitida apenas com guia Kalunga. Grupos de até seis pessoas podem dividir o custo do guia: R$ 200 para um atrativo, R$ 250 para dois e R$ 300 para três. O transporte “pau de arara” é opcional: R$ 30 para Cachoeira Santa Bárbara e R$ 40 para Canduru, pagos em dinheiro ou PIX.

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