Príncipe Custódio: líder africano que difundiu religiões afro no Sul do Brasil é enredo da Portela no Carnaval 2024
Príncipe Custódio: líder africano que difundiu religiões afro no Sul do Brasil é enredo da Portela n

O enredo da Portela para o Carnaval 2024 homenageia Príncipe Custódio, líder religioso africano que viveu em Porto Alegre entre o fim do século 19 e as primeiras décadas do século 20. Conhecido como babalorixá, ele foi uma figura central do batuque, a vertente mais antiga das religiões afro-brasileiras no Rio Grande do Sul.

Apesar do título nobre, Custódio não se encaixava nos padrões de respeitabilidade da elite porto-alegrense da época. Negro, alto — relatos indicam que tinha cerca de 2 metros de altura — e com passagem pela polícia, ele era visto como um personagem exótico, marginal ou até perigoso. Ainda assim, construiu um caminho improvável até o reconhecimento público.

Documentos históricos mostram que Custódio circulava entre os altos círculos do poder, sendo recebido por políticos influentes, como Antônio Augusto Borges de Medeiros, então presidente do estado (cargo equivalente ao de governador). Sua casa, na Rua Lopo Gonçalves, no bairro Cidade Baixa, tornou-se ponto de referência para comunidades negras e praticantes do batuque.

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A Custódio é atribuída a instalação de ocutás (objetos sagrados ligados aos orixás) em diferentes pontos de Porto Alegre. O mais conhecido é o Bará do Mercado Público, considerado um dos principais locais sagrados das religiões de matriz africana no Sul do país. Há relatos de outros assentamentos, inclusive próximos ao atual Palácio Piratini, sede do governo gaúcho.

Quando morreu, em maio de 1935, Osuanlele Okizi Erupê (nome africano de Custódio) foi descrito pelos principais jornais de Porto Alegre como um personagem fora do comum. Os obituários informaram: “Morreu nesta capital, com 104 anos, um príncipe africano”. Mais de 90 anos após sua morte, sua trajetória segue cercada de lacunas e controvérsias, com pesquisadores contestando a data de chegada a Porto Alegre (1901) e sua origem africana.

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