Dois exemplares do raro peixe-remo (Regalecus russellii), conhecido como 'peixe do fim do mundo', foram encontrados recentemente nas areias de Cabo San Lucas, no México. O registro, feito por turistas e divulgado pela influenciadora Monica Pittenger, chamou a atenção pela aparência incomum do animal e pela antiga crença de que sua aparição anunciaria terremotos ou tsunamis.
Pesquisadores, no entanto, afirmam que não há evidências científicas que liguem o surgimento do peixe a catástrofes naturais. Estudos já compararam registros de aparições com dados sísmicos e não encontraram correlação estatisticamente relevante. A fama de sinal de tragédias vem do folclore japonês, onde é chamado de 'mensageiro do palácio do deus do mar', mas uma análise de 336 registros no Japão entre 1928 e 2011 concluiu que a associação é uma 'correlação ilusória'.
O peixe-remo é o peixe ósseo mais longo do planeta, com corpo prateado e alongado que lembra uma fita metálica. Vive na zona mesopelágica, entre 200 e 1.000 metros de profundidade, e apresenta adaptações para suportar a pressão, como musculatura muito branda. Segundo o especialista Lasso-Alcalá, essa característica explica por que ele não resiste quando correntes o empurram para águas rasas.
O que traz esses animais à costa são fenômenos chamados de ressurgência costeira (upwelling), quando ventos empurram águas superficiais e permitem que águas profundas subam rapidamente. Essas correntes podem arrastar espécies que vivem no meio da coluna d'água. 'Há uma relação muito forte entre os registros de peixe-remo e locais onde essas correntes atingem o litoral', afirma Lasso-Alcalá.
Para os cientistas, o episódio é uma rara oportunidade de compreender melhor o funcionamento do oceano e uma das criaturas mais misteriosas das profundezas.



