Poucas peças brasileiras chegam aos 20 anos com o mesmo fôlego de "A Alma Imoral". A montagem estrelada por Clarice Niskier, baseada no livro de Nilton Bonder e com supervisão de Amir Haddad, celebra duas décadas de trajetória com temporada especial entre os dias 19 e 21 de junho, no Teatro Municipal Carlos Gomes, no Rio de Janeiro.
Em 20 anos, o espetáculo já foi visto por mais de 750 mil pessoas e rendeu a Clarice o Prêmio Shell de melhor atriz.
O que é uma alma imoral?
Para Nilton Bonder, trata-se da parte verdadeiramente autônoma de cada pessoa, aquela capaz de fazer escolhas próprias – mesmo quando elas contrariam expectativas, convenções ou costumes. "Raramente acessamos essa parte de nós porque as forças da conformidade são maiores e parecem mais atrativas", afirma. É justamente essa tensão entre pertencimento e liberdade que, segundo o autor, ajuda a explicar a permanência da obra após duas décadas.
Visão do autor após 20 anos
Vinte anos depois, o autor diz que não mudou de ideia sobre os conceitos centrais do livro, mas ampliou sua compreensão sobre diversidade e compaixão. "O que muda não é a essência, mas o tom." Ao longo do caminho, o contato com o público também trouxe novas leituras para a obra e inspirou a escrita de "Segundas Intenções". "Transgredir é um ato de encruzilhada, não de premeditação", resume.
E a alma imoral envelhece? Bonder acredita que não. "Só envelhece o que se apresenta como verdade." Para ele, obras que funcionam como lentes para observar a vida atravessam o tempo sem perder relevância. Já a maior imoralidade dos nossos dias estaria no artificial – tema do seu próximo livro, "A Segunda Mordida", que será lançado pela Rocco em outubro.



