Na quinta-feira, 18 de junho, Maria Bethânia completa 80 anos de vida, dos quais 63 são dedicados aos palcos, desde sua estreia em 1963, cantando um samba de Ataulfo Alves na peça "Boca de ouro" em Salvador (BA). A mais nova octogenária da MPB celebrará a data sem alarde, pois a festa que realmente importa foi realizada no ano passado, em comemoração aos 60 anos de carreira, com show iniciado em setembro de 2025. No entanto, os 80 anos de Bethânia são motivo de celebração para os fãs da Abelha Rainha, epíteto que reflete seu porte majestoso no palco.
Diante da efeméride, o Blog do Mauro Ferreira inicia hoje, 16 de junho, uma série de textos sobre os 80 anos de Maria Bethânia. O primeiro destaca oito álbuns menos ouvidos da artista. Embora os seguidores mais dedicados conheçam bem esses discos, o público em geral pode não estar tão familiarizado com eles. A lista inclui títulos que mantêm a coerência de uma discografia íntegra desde a estreia fonográfica de Bethânia em 1965.
Os oito álbuns menos ouvidos de Maria Bethânia
"Maria Bethânia" (1969)
Este é o primeiro álbum solo de estúdio após Bethânia se livrar do rótulo de "cantora de protesto" imposto pela indústria. Com capa do artista Luiz Jasmin, o disco reafirma os caminhos que a artista seguiria, mesclando sambas-canção, sambas de compositores brasileiros e temas afro-brasileiros, com forte teatralidade sob direção do maestro Lyrio Panicalli.
"Maria Bethânia ao vivo" (1970)
Segundo registro ao vivo da carreira, o álbum captura o clima dos shows em boates cariocas no final dos anos 1960. Gravado em 4 de dezembro de 1969, em espaço privativo da Odeon para convidados, impressiona pelo calor da apresentação. Destaques incluem o fado "Os argonautas" (Caetano Veloso), "Irene", "Ponto de Iansã" e o samba de roda "Marinheiro só".
"Alteza" (1981)
Com repertório pouco aliciante, este álbum vendeu menos que os antecessores e sinalizou o desgaste da fórmula orquestral de Perinho Albuquerque. Apesar disso, legou a canção "Maravida" (Gonzaguinha) e o samba "Purificar o Subaé" (Caetano Veloso), gravado com Caetano, Gilberto Gil e a irmã Nicinha.
"A beira e o mar" (1984)
Introspectivo e na contramão do tecnopop, o álbum chegou sem alarde em 1984, com Bethânia em baixa no mercado. Derivado do show "A hora da estrela", traz interpretações marcantes como "Na primeira manhã" (Alceu Valença), "Para eu parar de me doer" (Milton Nascimento e Fernando Brant) e "O nome da cidade" (Caetano Veloso). O samba-título, de Roberto Mendes e Jorge Portugal, é outro destaque.
"Maria" (1988)
Após o sucesso de "Dezembros", Bethânia reafirma sua independência ao resistir ao domínio de Sullivan & Massadas. O disco acústico traz interpretações definitivas de três músicas de Caetano: "Onde andarás", "Tá combinado" e "O ciúme", esta em dueto com Gal Costa. Participações de Jeanne Moreau e do grupo sul-africano Lady Smith Black Mambazzo enriquecem o álbum.
"Olho d'água" (1992)
Talvez o título mais desconhecido da discografia, este álbum interiorizado e de vendas baixas oferece pérolas como "Medalha de São Jorge" (Moacyr Luz e Aldir Blanc), "Modinha" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e a faixa-título de Caetano Veloso sobre poema de Waly Salomão. Destaque também para "Além da última estrela" (Dominguinhos e Fausto Nilo) e a chula "Vida vã" (Roberto Mendes e Jorge Portugal).
"Tua" (2009)
Eclipsado pela energia festiva de "Encanteria", lançado simultaneamente, este disco delicado celebra o amor outonal com canções como "Até o fim" (Cezar Mendes e Arnaldo Antunes), "Você perdeu" (Márcio Valverde e Nélio Rosa), "Saudade" (Chico César e Paulinho Moska, com Lenine) e a guarânia "Guriatã" (Roque Ferreira). A faixa-título é de Adriana Calcanhotto.
"Meus quintais" (2014)
Mergulhado no Brasil rural, o álbum evoca indígenas, iaras e caboclos, com músicas inéditas como "Casa de caboclo" (Roque Ferreira e Paulo Dáfilin) e "Xavante" (Chico César). A regravação de "Mãe Maria" (Custódio Mesquita e David Nasser) e a inclusão de "Lua bonita" (Zé do Norte e Zé Martins) e "Moda da onça" (Paulo Vanzolini) reforçam a atmosfera interiorana.



