Crítica: 'Meu filho é um musical' celebra a vida de Paulo Gustavo com emoção e risos
'Meu filho é um musical' celebra Paulo Gustavo com emoção

Vinte anos após o sucesso de "Minha mãe é uma peça", a vida extraordinária de Paulo Gustavo (1978–2021) ganha um musical no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro. Idealizado por Déa Lúcia e Ju Amaral, "Meu filho é um musical" narra a trajetória do ator da infância em Niterói ao casamento com Thales Bretas, em uma narrativa que culmina com sua morte precoce aos 41 anos, vítima de covid-19.

Dramaturgia em sintonia com o homenageado

A dramaturgia de Fil Braz, roteirista que trabalhou com Paulo Gustavo, capta o espírito do artista. O espetáculo, com três horas de duração, mescla risos e melancolia, destacando o orgulho LGBTQIA+ e a resistência do ator contra a homofobia. O musical mostra como Paulo Gustavo cavou suas próprias chances no teatro e no cinema, sendo ele mesmo.

"O espetáculo faz a elegia paradoxalmente alegre de uma vida que fez do riso uma resistência", afirma a crítica. A direção de João Fonseca e Ju Amaral proporciona um fluxo espetacular, apoiado pelo talento do elenco principal.

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Elenco de excelência

João Pedro Chaseliov e Pierre Baitelli se revezam no papel de Paulo Gustavo. Stella Maria Rodrigues interpreta Dona Déa de forma exemplar, e em algumas sessões a própria Déa Lúcia entra em cena, cantando "Fascinação" e sambas como "Camisa amarela". A composição de Castorine como Ju Amaral também merece aplausos, reproduzindo a energia da irmã do ator.

Com exceção das músicas de Dona Déa, a trilha sonora original é composta por Daniel Salve e orquestrada por Tony Lucchesi, incluindo um funk de Dona Hermínia. O cenário de Nello Marrese, com pilastras gregas, emoldura 25 ambientes cênicos.

Estrutura em dois atos

O primeiro ato mostra o nascimento de Paulo Gustavo como ator, após períodos de desorientação. O segundo foca no sucesso da franquia "Minha mãe é uma peça", que arrastou milhões de brasileiros ao cinema. A dramaturgia também inclui personagens da série "220 volts", como Maria Enfisema e Senhora dos Absurdos.

O musical cumpre bem a função de entreter, emocionar e ressaltar a vida assumidamente gay de Paulo Gustavo, sem santificá-lo. "É um retrato generoso, mas não a ponto de santificar o artista", conclui a crítica.

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