O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias pela morte do produtor cinematográfico Luiz Carlos Barreto, ocorrida na quarta-feira (21) no Rio de Janeiro, aos 91 anos. Em nota oficial, o presidente exaltou o legado de Barreto, considerado um dos maiores nomes do cinema brasileiro.
Legado de um gigante do cinema
Luiz Carlos Barreto foi responsável por obras-primas como "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), "O Que É Isso, Companheiro?" (1997) e "Central do Brasil" (1998), que lhe renderam reconhecimento nacional e internacional. O produtor também atuou como diretor de fotografia e roteirista, acumulando mais de 50 filmes em sua carreira.
"O cinema brasileiro perde um de seus maiores expoentes. Luiz Carlos Barreto dedicou sua vida à sétima arte e contribuiu decisivamente para a consolidação da indústria cinematográfica no país", afirmou Lula na nota. O presidente também destacou a parceria de Barreto com diretores como Bruno Barreto, seu filho, e Cacá Diegues.
Homenagens e repercussão
A morte de Barreto gerou comoção no meio artístico. A Academia Brasileira de Cinema divulgou nota de pesar, classificando-o como "um visionário que abriu portas para o cinema nacional no exterior". O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também lamentou a perda: "Luiz Carlos Barreto é patrimônio do Rio e do Brasil. Seu talento e dedicação serão sempre lembrados".
Barreto estava internado desde o início da semana no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio, onde tratava uma pneumonia. O velório será realizado na sexta-feira (23) no Cine Odeon, na Cinelândia, das 10h às 14h.
Trajetória marcante
Nascido em Sobral, Ceará, em 1934, Barreto iniciou a carreira como fotógrafo e logo migrou para o cinema. Trabalhou como assistente de direção e diretor de fotografia em filmes do Cinema Novo antes de se consolidar como produtor. Entre os prêmios que recebeu, destacam-se o Candango de Melhor Filme e o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes por "O Beijo no Asfalto" (1981).
"Ele foi um dos responsáveis por transformar o cinema brasileiro em uma referência mundial. Sua paixão e profissionalismo inspiram gerações", disse o cineasta Walter Salles, que dirigiu "Central do Brasil", produzido por Barreto.
Impacto cultural
O legado de Luiz Carlos Barreto vai além dos filmes. Ele foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos e atuou na defesa de políticas públicas para o setor. Sua atuação foi fundamental para a criação da Ancine e para a Lei do Audiovisual.
"Barreto era um lutador incansável pela cultura brasileira. Sua ausência deixa um vazio imenso, mas seu trabalho permanece vivo em cada filme que produziu", completou Lula na nota oficial.



