Para celebrar o centenário de Janete Clair (1925-1983), foi lançado nesta quinta-feira, 26, na Livraria Travessa do Leblon, uma edição especial de seu único romance, Nenê Bonet (Ed. Instante). A obra, originalmente publicada como folhetim, narra a história de uma mulher da aristocracia rural que busca seu próprio empoderamento.
O evento contou com uma conversa sobre o pioneirismo de Janete no audiovisual brasileiro, mediada por Jorge Luiz Brasil, com a participação de Mauro Alencar e Ricardo Linhares. Segundo Linhares, a autora foi pioneira ao criar personagens femininas inseridas no mercado de trabalho. Ele destacou que em Pecado Capital (1975), Janete colocou a personagem Lucinha, interpretada por Betty Faria, trabalhando em uma fábrica, mostrando mulheres como trabalhadoras e acumulando funções, não apenas como donas de casa.
Tanto Alencar quanto Linhares consideram Nenê Bonet uma obra feminista, embora Janete não se identificasse como tal. “Ela conta a história de uma mulher que se liberta pelo sexo, não aceita dominação masculina”, afirmou Mauro. Para eles, a principal pauta abordada pela novelista é a emancipação feminina, um tema à frente dos estigmas da sociedade brasileira nos anos 1970. “O livro termina com uma mulher se libertando de um patriarcalismo que a cerca”, completou Linhares.
Apesar de seu progressismo, Linhares e Alencar afirmam que ela sofreu preconceito não por ser mulher, mas por sua carreira no audiovisual. Na época de suas novelas de sucesso, como Irmãos Coragem (1970) e Selva de Pedra (1986), a classe artística tinha preconceito com obras televisivas. “Qualquer obra que não fosse dentro de um teatro era criticada pela classe artística”, concluiu Linhares.



