IPB proíbe fiéis de apoiarem movimento Legendários em nova resolução
IPB proíbe apoio ao movimento Legendários

Em decisão histórica durante o 41º Supremo Concílio, realizado em Manaus, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) aprovou, nesta terça-feira (28), uma recomendação que proíbe membros, diáconos, presbíteros e pastores de apoiarem o movimento "Legendários" e grupos de características semelhantes. A medida, parte de uma resolução sobre doutrina e prática, classifica as atividades do Legendários como incompatíveis com a tradição histórica e a doutrina reformada da denominação.

Decisão no Supremo Concílio

O documento aprovado no concílio, assembleia geral da IPB, aponta que o Legendários adota metodologias "pragmáticas, neopentecostais e experienciais" que contrariam os princípios das Escrituras Sagradas e a organização eclesiástica. A orientação atende a uma consulta interna iniciada por integrantes da igreja no Tocantins, que solicitaram uma posição oficial contra a expansão do movimento nas comunidades locais.

Críticas à metodologia do Legendários

A comissão teológica da IPB fundamentou a recomendação apontando desvios severos na metodologia do grupo. A igreja condenou o uso de isolamento na natureza e testes de resistência física e emocional como meios de formação espiritual, afirmando que essas dinâmicas de impacto psicológico reduzem o papel central da Bíblia e da rotina comunitária. Além da privação física, o parecer criticou a mercantilização da fé e o sigilo em relação às atividades do grupo. A direção da IPB destacou que juramentos, uniformes padronizados, discursos motivacionais e técnicas de marketing transformam a vivência religiosa em uma "experiência de consumo", provocando divisões internas entre os membros das igrejas locais.

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Segundo o documento, o Legendários promove uma "masculinidade tóxica" e impõe rituais que desrespeitam a liberdade cristã. O fundador do movimento, entretanto, afirmou que o grupo não busca impor um modelo obsoleto de masculinidade.

O que é o movimento Legendários

Criado na Guatemala em 2015 e presente no Brasil desde 2017, o Legendários é um movimento voltado exclusivamente para homens que promete "restaurar o potencial masculino". A organização atrai empresários, atletas e políticos para desafios de imersão. A principal atividade é um retiro de 72 horas em montanhas, com taxas cobradas por participante que giram em torno de R$ 1,5 mil. Durante o período, os homens passam por privação e testes físicos sem contato com o mundo exterior, exatamente o formato criticado pela IPB.

Especialistas apontam que a metodologia de desgaste físico e emocional pode causar traumas e dependência psicológica. O movimento já foi alvo de controvérsias em outros países, incluindo relatos de participantes que não conseguiram sair de Dubai após conflitos no Oriente Médio, conforme noticiado anteriormente.

Impacto nas comunidades locais

A recomendação da IPB visa coibir a adesão de fiéis ao Legendários, que tem se expandido em várias regiões do Brasil. A decisão foi bem recebida por setores conservadores da igreja, mas também gerou debates sobre os limites da autonomia dos membros. A IPB reforçou que a medida é uma orientação doutrinária e não uma proibição absoluta, mas espera que todos os membros a sigam para preservar a unidade e a pureza da fé reformada.

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