Casas de umbanda celebram Nanã na Floresta Nacional de Ipanema
Gira em homenagem a Nanã reúne umbandistas em Iperó

Seis casas de umbanda de Sorocaba, no interior paulista, realizam neste domingo (26) uma gira em homenagem à orixá Nanã na Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó. O evento, que começa às 10h e segue até as 16h, promove a união entre terreiros e a celebração da ancestralidade africana em meio à natureza.

Nanã: a orixá da ancestralidade

Nanã é considerada a orixá mais antiga do panteão africano, reverenciada como a “avó” da humanidade. No sincretismo religioso, sua imagem é associada a Sant’Ana, avó de Jesus Cristo no catolicismo, cuja festa também é celebrada em 26 de julho. “Cultuamos Nanã junto com os pretos velhos, por esse significado dos avós. A gente só pode caminhar com quem já caminhou antes”, explica Tiago Lopes, um dos organizadores da gira.

Organização e expectativa

O encontro vem sendo articulado há mais de um mês, com as comunidades sorocabanas revezando-se na divulgação. A expectativa é reunir mais de 200 pessoas. “Mais do que reunir pessoas, queremos reunir corações em uma grande corrente de fé, caridade e amor ao próximo. É um momento de oração, reflexão, gratidão aos mais velhos e fortalecimento espiritual”, afirma Tiago Lopes.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Gira na floresta: conexão com a natureza

A escolha da Floresta Nacional de Ipanema não é casual. O local, uma unidade de conservação, simboliza o contato com a natureza, elemento central na celebração de Nanã. Os atabaques ecoarão pela mata, guiando os cantos que chamam pela orixá. Júnior de Xangô, babalorixá de um dos terreiros participantes, destaca a importância do ambiente: “O que mais me motiva é fazer essa homenagem dentro de um ambiente ritualístico como a floresta, junto com todos que buscam se unir. É muito importante que a gente se converse, tenha união e voz”.

Significado das cores e oferendas

Na liturgia umbandista, as cores roxa e lilás simbolizam sabedoria, ancestralidade e transformação, representando a serenidade e os mistérios da vida e da morte. Nanã é sempre representada com essas cores. Tiago Oliveira, pai pequeno de uma casa de umbanda, orienta quem deseja homenagear a orixá: “No dia 26, a pessoa pode acender uma vela branca ou roxa em local seguro, fazer uma oração pedindo sabedoria, paciência, proteção para os idosos e pelos ancestrais”.

Música de Anitta leva Nanã ao pop

Em abril de 2026, a cantora Anitta lançou a música “Nanã”, com participação de Rincon Sapiência e KING Saints, no álbum “EQUILIBRIVM”. A faixa, que ultrapassou 8 milhões de visualizações no YouTube, apresenta a orixá de forma moderna. Um dos versos de KING Saints diz: “Tudo que nasce na terra volta pra terra, isso é fato. Lilás e branco com folhas de palha, de búzios, me sinto curada. A primeira a pisar em solo fértil, sem ferro, sem aço ou pecado.” A música reforça a ligação entre Nanã, a natureza e a ancestralidade.

Detalhes do evento

A gira ocorre das 10h às 16h na Floresta Nacional de Ipanema (Estrada Vicinal Ipê, 265 - Km 19,5, Iperó). A entrada no parque tem taxa de R$ 16, com meia-entrada para beneficiários de direito. Os organizadores reforçam que a oferta mais importante para Nanã é a simplicidade. “É levar um coração puro, uma única vela e um pensamento positivo”, conclui Júnior de Xangô. Tiago Lopes convida: “Nanã Buruquê faz a gente caminhar na nossa religião e, quem quiser, pode conhecer também”.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar