Quando um gato preto cruza o caminho de alguém, muitos se encolhem instintivamente. Dizem que são arautos do azar, especialmente quando vão da esquerda para a direita. Com olhar penetrante, pelo brilhante e andar furtivo, o gato preto é cercado por uma aura misteriosa e, em muitas culturas, é símbolo do sobrenatural. No Halloween, celebrado em 31 de outubro, essas criaturas sombrias aparecem em decorações, filmes e fantasias.
A reputação sinistra remonta à Idade Média. Durante a caça às bruxas, acreditava-se que gatos pretos eram bruxas transformadas, capazes de se esgueirar à noite e trazer azar. Eram considerados criaturas do diabo e frequentemente queimados junto com supostas bruxas. Em pinturas antigas, é comum vê-los ao lado de bruxas. Em alguns lugares da França, até o século 18, 13 gatos pretos eram jogados vivos em fogueiras no solstício de verão; em Ypres, na Bélgica, eram atirados de torres de igrejas.
Os primeiros emigrantes europeus levaram essas superstições para os EUA. Quando o Halloween se tornou popular como festa folclórica no século 19, o gato preto tornou-se parte integrante da celebração. Até hoje, aparece com corcova torta e olhos brilhantes em cartões, estatuetas e abóboras. No entanto, nem todas as culturas o veem como mau presságio. No Reino Unido e na Irlanda, gatos pretos trazem boa sorte; na Escócia, anunciam prosperidade. No Japão, simbolizam sorte e proteção contra doenças, e os amuletos Maneki-neko pretos afastam demônios.
Em navios, gatos pretos eram bem-vistos, considerados capazes de afastar tempestades e garantir o retorno para casa, além de caçar roedores. No Antigo Egito, a deusa Bastet, protetora de mulheres grávidas e crianças, era retratada como um gato preto. Uma lenda diz que Deus criou o gato preto antes do corvo, dando-lhe a cor mais pura. A cor da pelagem, porém, é genética: o gene B produz eumelanina, que escurece a pelagem, nariz e patas. A maioria dos gatos pretos são machos, pois o gene B está no cromossomo X, do qual os machos têm apenas um.
Pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA descobriram que a variante genética da pelagem preta também confere resistência a doenças. A cor escura ajuda na camuflagem noturna e na caça. Na cultura ocidental, o gato preto tem lugar significativo: em 1843, Edgar Allan Poe escreveu o conto 'O Gato Preto', sobre assassinato e loucura. Na cultura pop, tornou-se símbolo de frieza e rebeldia, como o gato Salem na série 'Sabrina, a Bruxinha Adolescente' (1996) e Luna em 'Sailor Moon'.



