Fefol 2026: legado do professor José Sant’anna transforma Olímpia em Capital do Folclore
Fefol: legado do professor José Sant’anna em Olímpia

O município de Olímpia, no interior de São Paulo, se prepara para receber a 62ª edição do Festival do Folclore (Fefol), um dos maiores eventos do gênero no Brasil. O festival, que acontece a partir de sábado (1º) até 9 de agosto no Recinto do Folclore, é um legado vivo do professor José Sant’anna, idealizador da primeira edição em 1965. Com entrada gratuita, o evento reúne mais de 70 grupos, 2,8 mil artistas e mais de 130 apresentações representando 21 estados. Em 2026, o estado homenageado será o Rio de Janeiro.

O início do Festival do Folclore

José Sant’anna nasceu em Olímpia em 8 de julho de 1937, filho de João Joaquim de Sant’anna e Hypólita Theodora da Silveira Sant’anna. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e professor de Língua Portuguesa, dedicou-se ao magistério até a aposentadoria. Em meados da década de 1950, começou a estudar o folclore brasileiro, tornando-se um grande representante da cultura. Suas pesquisas em sala de aula se expandiram para as ruas, resultando na primeira edição do Fefol em 1965.

As origens do festival são marcadas pela participação de alunos e professores. Cidina Manzolli, fundadora do Grupo Olimpiense de Danças Parafolclóricas "Cidade Menina Moça" (GODAP), relembra: “As pessoas vinham visitar e já tinha exposição, alimentação e comida típica, mas não tinha atração. Então, ele disse: ‘para atrair mais pessoas, vamos colocar os alunos para dançar, e você vai ensinar eles a dançar’. Sem imaginar que surgiria o grupo que está aí até hoje, que completa 60 anos no ano que vem”.

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A trajetória do professor José Sant’anna

Além de publicar diversos livros sobre folclore, José foi diretor do Anuário do Folclore, registro detalhado de todas as edições do festival, incluindo cantigas, danças e grupos. Com o crescimento do evento, o Fefol passou a integrar a identidade da cidade, que em 21 de dezembro de 2017 foi oficialmente reconhecida como Capital Nacional do Folclore pela Lei Federal nº 13.566.

Sua dedicação é frequentemente lembrada pela cidade e pelos familiares. O filho Clarismundo Sant’anna afirma, emocionado: “Tudo que eu sou, tudo o que eu sei e tudo o que eu tenho na vida foi ele”.

Memórias e a conexão com a natureza

Para muitos moradores, voltar à Praça da Matriz é viajar no tempo. Fotos antigas guardam memórias das primeiras edições, como as do professor Márcio André Pimenta, que aparece com apenas quatro anos. Sua mãe, Ana Carlota Pimenta, conta: “Eu tenho um mais velho que já estava na escola e dançava aqui no palco, e o Márcio que era pequeno e ficava no meu colo”.

A secretária de Cultura de Olímpia, Priscila Foresti, destaca a ligação do festival com a florada dos ipês. “O professor Sant’anna dizia que, quando começava a florescer o Ipê Rosa, ele estava anunciando que o festival estava chegando. Na sequência, com a florada do Ipê Amarelo, o festival estava acontecendo e coroando esse encontro do Brasil aqui em Olímpia. E logo depois floresce o Ipê Branco, que era para mostrar que tudo tinha acontecido na devida paz”, explica.

A edição de 2026 e a homenagem ao Rio de Janeiro

Neste ano, o estado homenageado no palco do evento será o Rio de Janeiro. Danielle Christian Barros, secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, expressa entusiasmo: “É uma alegria enorme ter recebido esse convite e poder, a partir da nossa cultura popular, representar a história do Rio de Janeiro neste que é um dos maiores festivais de folclore do país”.

O Festival do Folclore de Olímpia continua a crescer, mantendo viva a herança do professor José Sant’anna, que transformou uma pequena cidade em referência nacional da cultura popular brasileira.

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