No novo filme 'Extermínio: A Evolução', a masculinidade tóxica é colocada sob escrutínio em um cenário pós-apocalíptico. A trama se passa 28 anos após o surto inicial de zumbis, em uma sociedade isolada em uma ilha britânica. Lá, o menino Spike, de 12 anos, é pressionado pelo pai Jamie a provar sua masculinidade matando zumbis, apesar de sua pouca idade e falta de preparo emocional.
A comunidade na ilha é relativamente pacífica, mas carece de médicos e oferece poucas opções além do militarismo. Spike precisa passar por um rito de iniciação que envolve enfrentar zumbis, não por necessidade de sobrevivência, mas para garantir seu status social. Ele teme ser visto como 'mole' se desistir e anseia pela aprovação do pai, que celebra suas primeiras mortes com entusiasmo.
No entanto, Spike começa a questionar essa mentalidade ao perceber a humanidade nos zumbis e a falta dela em seu pai, que negligencia a esposa doente e é violento. A única bússola moral do menino é o amor pela mãe, Isla, e ele embarca em uma jornada em busca de lógica, medicina e afeto, contrariando a glorificação da virilidade.
O filme também apresenta o 'Alfa', um zumbi evoluído que corre nu e possui um falo gigantesco, uma metáfora explícita da masculinidade tóxica. Quando Jamie revela o nome da criatura a um imigrante, este comenta: 'Você faz ele parecer um daqueles caras de finanças de Wall Street'. A direção de Danny Boyle e o roteiro de Alex Garland evitam qualquer catarse nas mortes, gerando desconforto e crítica à violência.
O tema não é novo na franquia: no primeiro filme, militares planejavam estuprar mulheres para repovoar o país. Em 'A Evolução', porém, a crítica à masculinidade tóxica é central e indissociável da narrativa, usando imagens de arquivo de guerras e o poema 'Boots' para reforçar a mensagem.



