A Feira do Doce de Tatuí (SP), um dos eventos mais tradicionais da cidade, começa nesta quarta-feira (8) e segue até domingo (12), na Praça da Matriz, das 10h às 22h. O evento atrai visitantes de diversas cidades interessados em doces típicos e novidades. Entre as delícias, o doce ABC – sigla para abóbora, batata e cidra – é um dos destaques, declarado Patrimônio Cultural e Imaterial da Gastronomia Tatuiana pela Lei Municipal nº 4.972, de 2015.
Doce ABC: tradição de mais de 70 anos
Luciano Lima, comerciante presente desde a primeira edição, conta que sua família começou a produzir o doce ABC no final dos anos 1960. “Ele é um patrimônio histórico gastronômico nosso. Começamos a fazer em 1967, mas o doce já era feito nos anos 1950 por uma senhora chamada ‘dona’ Belarmina. Ela deixava os doces secando no sol. Foi passando para as pessoas”, relembra. A receita é simples: cozinhar, descascar e acrescentar açúcar. “Você cozinha, descasca, põe no tacho, acrescenta o açúcar e tira o ponto. Só isso, está pronto. A cada edição vendemos cerca de 3 mil quilos do doce”, afirma.
Luciano não faz adaptações para agradar novos paladares. “A receita começou com meu avô e segue da mesma forma. Os ingredientes são fruta e açúcar. Sem corante, sem adoçante e sem conservante.” Apesar da venda expressiva do ABC, as cocadas lideram o ranking, com 12 sabores. “A cocada consegue agradar mais clientes. O ABC é só batata, abóbora e cidra. O de cidra é bem cítrico, então não agrada a todos”, detalha. Para preservar a essência artesanal, ele oferece um tour para crianças na loja. Para a edição deste ano, aposta em pé-de-moça cremoso, mas reforça: “Nosso cuidado é não perder a essência do caseiro.”
Doces temáticos: cinema e inovação
Kailany de Almeida, também expositora, une culinária e cinema. Há cinco anos na feira, recria pratos de filmes e séries. “A primeira sobremesa foi a torta escocesa do Pica-Pau, que um amigo pediu. Levei para a feira e deu certo.” Ela vendeu mais de 20 mil unidades da torta escocesa no último evento. Para 2025, aposta em um “copo da felicidade” inspirado no Coringa. “O segredo é pegar coisas que relembram a infância e transformar em doce”, revela. As embalagens são feitas pelo pai, em um negócio familiar.
Feira gera 1,5 mil empregos e fatura R$ 4 milhões
Dalmo Vítor Santos, diretor tesoureiro da Associação dos Produtores de Doces de Tatuí (Aprodoce), afirma que o evento conta com mais de 250 tipos de doces, divididos em 49 comerciantes. “A grande maioria dos visitantes são turistas. A cidade tem 130 mil habitantes e, nos cinco dias de festa, o volume dobra. Gera 1,5 mil empregos diretos”, destaca. Entre os mais vendidos estão bombom de milho e de banana. Em 2025, o “hype” do morango do amor ajudou a gerar um faturamento de R$ 4 milhões. A feira é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município pela Lei Municipal nº 5.670/2022.



