O cineasta americano Cyrus Nowrasteh, diretor do filme sobre Jair Bolsonaro idealizado por apoiadores e acompanhado por familiares do ex-presidente, afirmou que o longa, com previsão de lançamento em 2026, fará um "retrato complexo e honesto" do político brasileiro. Em entrevista por email à BBC News Brasil, sua primeira declaração à imprensa sobre o projeto, Nowrasteh disse que sabia que Bolsonaro era uma "figura controversa e polarizadora", mas que isso torna o tema fértil para um filme.
Nowrasteh, de ascendência iraniana e conhecido por filmes com forte apelo cristão e político, também é responsável pela edição de "Dark Horse" ("Azarão", em tradução livre). As gravações foram encerradas em dezembro, em São Paulo, e as primeiras imagens foram divulgadas nas redes sociais por políticos e militantes bolsonaristas nas últimas semanas.
A ideia e o argumento do filme são do deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro. Frias compartilhou imagens dos bastidores, incluindo uma cena em que ele e Carlos Bolsonaro ouvem uma oração do ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente, no set de filmagem.
Nowrasteh contou que estava desenvolvendo outro projeto no Brasil quando um produtor americano o colocou em contato com a produtora GoUp Entertainment, de Karina Ferreira da Gama, e com Mario Frias. "Eles queriam fazer algo sobre Bolsonaro. Fiquei impressionado com o Mario e com a paixão dele pelo projeto", disse o diretor.
O cineasta já tinha relação com o Brasil por ter sido coautor do roteiro do filme brasileiro-americano "Jenipapo" (1995), dirigido por Monique Gardenberg. Seus filmes mais reconhecidos incluem "O Apedrejamento de Soraya M" (2008), "O Jovem Messias" (2016) e "Sequestro Internacional" (2019). Ainda não está claro se "Dark Horse" terá tom religioso ao retratar Bolsonaro, que é católico, mas se aproximou de setores evangélicos por meio de sua esposa, Michelle.



