Em Ribeirão Preto (SP), o aposentado Marcos Antônio Sian mantém em casa um acervo de cerca de 20 mil cartões telefônicos, que eram usados em orelhões. A coleção inclui desde pontos turísticos do Brasil e do mundo até bandeiras, ilustrações, propagandas, personalidades, carros, animais e paisagens. O interesse começou em 1998, quando ele viajava de Ribeirão Preto para São Paulo a trabalho e via pessoas revendendo cartões usados perto dos comércios que frequentava.
Com a substituição das fichas da Telebrás pelos cartões na virada dos anos 2000, o hobby se consolidou. Sian organiza todos os itens em pastas com anotações sobre as versões publicadas. Entre as séries mais marcantes está a de bandeiras dos estados brasileiros, lançada em 1995 e 1996.
Uma das raridades da coleção é um cartão do Jornal do Comércio, de Recife (PE), que foi lançado para ser dado aos leitores. Segundo Sian, dois mil exemplares deixaram de circular repentinamente, gerando alta demanda entre colecionadores. Hoje, o item pode valer até R$ 10 mil.
A impressão de cartões telefônicos ocorreu até 2014. Atualmente, Sian busca completar uma série com os originais da Telebrás. Ele usa grupos de WhatsApp para encontrar cartões esquecidos ou raros em diferentes partes do Brasil. Apesar de não haver mais encontros presenciais na praça da Catedral de Ribeirão Preto, ele segue ativo na busca por relíquias.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que 342 orelhões serão retirados de circulação em Ribeirão Preto. A notícia intensificou o saudosismo de Sian, que lembra da época em que os orelhões eram essenciais para a comunicação.



