Pastor é denunciado pelo MPCE e se torna réu
O pastor Alan Pereira Vicente, de 38 anos, preso sob suspeita de abusar sexualmente de fiéis em sua igreja no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza, foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) pelos crimes de estupro e violação sexual mediante fraude. A Justiça acatou a denúncia, transformando o caso em ação penal. Alan Pereira agora é réu e será ouvido judicialmente, assim como as vítimas e testemunhas. Ele está preso preventivamente desde maio.
Método de abordagem: falsas curas e ameaças
Segundo as investigações, Alan utilizava sua posição de líder religioso para se aproximar das vítimas. Durante cultos, ele simulava a retirada de objetos como pregos e agulhas do corpo dos fiéis, apresentando os atos como milagres. Com isso, convencia mulheres a encontros particulares sob o pretexto de “cura espiritual”. Nessas ocasiões, o pastor afirmava que elas estavam doentes, inclusive com câncer, para justificar os abusos. Além disso, ele alegava ter influência com facções criminosas para ameaçar as vítimas e impedir denúncias.
Fontes da TV Verdes Mares indicam que pelo menos três mulheres adultas e dois menores de 18 anos foram vítimas. Duas delas formalizaram denúncia à polícia.
Relato de vítima: estupro em motel
Uma estudante de 27 anos relatou que, em 2025, o pastor disse ter identificado um tumor em seu útero e que precisava removê-lo. Alegou já ter visto caso semelhante em que a vítima morreu por não realizar o procedimento. Com medo, a jovem aceitou encontros na igreja, onde ele pedia que ela retirasse a roupa íntima e realizava toques íntimos supostamente para retirar o tumor. Posteriormente, o pastor a encontrou no Centro de Fortaleza, onde trabalhava como segurança, ofereceu carona e a levou a um motel. Mesmo com a recusa, ela foi violentada e pressionada a não denunciar. Após o estupro, ele pediu que ela orasse e o perdoasse.
“Ele falou que eu tinha câncer, fez orações por mim. Foi depois do estupro que eu entendi que tudo era abuso. Ele mandava eu tirar o vestido, tirar a parte de baixo e me deitar na mesa dele. Ele colocava um pano no meu rosto e mandava eu abrir as pernas e relaxar porque ele ia tirar o câncer dentro de mim”, relatou a vítima à TV Verdes Mares.
A jovem comunicou o caso à direção da igreja em março de 2025. O pastor foi expulso em abril, mas antes passou a difamá-la perante outros fiéis.
Outra vítima: uso de versículos bíblicos para justificar abusos
Uma dona de casa de 20 anos contou que, também em 2025, após uma gestação com complicações, foi abordada pelo pastor, que afirmou que ela precisava de “cura”. Ele foi até sua casa, pediu que ela se deitasse e simulou retirar uma agulha de seu corpo. Em seguida, disse que ainda havia um fragmento e solicitou que ela retirasse a parte inferior da roupa, momento em que cometeu abusos.
“Ele mandou eu tirar o vestido e disse que tinha visto arranhões nas minhas costas. Mas na verdade eram estrias das minhas gestações... Disse que era um trabalho feito contra mim e que estava se manifestando”, contou a vítima. Ela questionou a situação, mas foi persuadida com versículos bíblicos, que afirmavam que pessoas enfermas poderiam ser curadas pelo toque de “servos de Deus”. Os encontros ocorreram por três dias consecutivos; no quarto, ela se recusou a continuar e deixou a igreja. Após os episódios, o pastor passou a difamá-la, inclusive com comentários sobre seu corpo.
Outras acusações e difamação das vítimas
Um frentista de 22 anos, ex-companheiro de uma das vítimas, relatou que, quando tinha 12 anos, o pastor fez questionamentos íntimos sobre sua virgindade. O suspeito também é acusado de fazer comentários sexuais dentro da igreja. Após os abusos, ele difamava as vítimas no ambiente religioso e na comunidade, tentando desacreditar as acusações. Em alguns casos, registrou boletins de ocorrência contra as denunciantes por calúnia. As denúncias incluem ameaças de morte, com o pastor afirmando ter ligação com facções criminosas. Ele foi expulso da igreja onde atuava, mas, segundo as denúncias, tornou-se responsável por outro ministério religioso.



