O Festival de Cinema de Cannes tomou uma decisão inédita ao proibir o ator Théo Navarro-Mussy de participar da exibição de seu filme 'Dossier 137' nesta quinta-feira (15). O artista francês é acusado por três ex-colegas de agressões sexuais, incluindo estupros e violências físicas e psicológicas, ocorridas entre 2018 e 2020.
A medida foi tomada por iniciativa do diretor do festival, Thierry Frémaux, com o acordo dos produtores do longa-metragem dirigido por Dominik Moll. Com isso, Navarro-Mussy, de 34 anos, não participará do tapete vermelho nem da projeção do filme, que disputa a Palma de Ouro.
O caso não tem relação com 'Dossier 137'. A queixa contra o ator foi arquivada em abril, mas as três mulheres indicaram a intenção de apresentar recurso. Navarro-Mussy afirmou que a Justiça francesa 'até o momento, o eximiu de culpa'. Sua advogada, Marion Pouzet-Gagliardi, disse não ter recebido informações sobre novos procedimentos.
Frémaux explicou que as produções apresentadas em Cannes precisam garantir condições de segurança, integridade e dignidade das pessoas durante a produção. 'É preciso analisar caso por caso, especialmente quando surgem elementos novos', ressaltou.
A decisão ocorre após a deputada ecologista Sandrine Rousseau convocar o evento a 'mudar de mentalidade'. A presidente do festival, Iris Knobloch, afirmou ter tomado conhecimento das recomendações 'com seriedade e determinação'. O festival também aguarda mais informações sobre outra personalidade denunciada.



