"Em tempos de guerra, a arte é inútil", diz artista italiano da banana de US$ 6,2 mi
Arte é inútil em tempos de guerra, diz artista italiano

O artista italiano Maurizio Cattelan, conhecido mundialmente pela obra "Comedian" — uma banana presa a uma parede com fita adesiva que foi vendida por US$ 6,2 milhões — declarou que "em tempos de guerra, a arte é inútil". A afirmação foi feita em entrevista recente, gerando debate sobre o papel da arte em contextos de conflito.

A declaração do artista

Cattelan, que sempre utilizou o humor e a ironia em suas obras, afirmou que diante de tragédias humanitárias, a arte perde sua relevância. "Quando pessoas estão morrendo, quando cidades são bombardeadas, pendurar uma banana na parede parece absurdo", disse o artista, citando os conflitos na Ucrânia e em Gaza. Ele ressaltou que, embora a arte possa servir como reflexão, em momentos de crise extrema, sua utilidade é questionável.

A fala de Cattelan ecoa um sentimento comum entre artistas e intelectuais ao longo da história. Em guerras mundiais, muitos questionaram se a produção artística deveria continuar ou se era um luxo desnecessário. O italiano, porém, não defende o abandono total da arte, mas sim uma reavaliação de seu papel.

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Obra polêmica e seu impacto

"Comedian" foi apresentada pela primeira vez em 2019 na Art Basel Miami Beach, gerando grande controvérsia. Críticos a consideraram uma crítica ao mercado de arte e ao consumo de luxo. A obra foi vendida por US$ 120 mil inicialmente, mas em 2024, uma edição foi leiloada por US$ 6,2 milhões, consolidando Cattelan como um dos artistas vivos mais valiosos.

A banana, que chega a apodrecer durante exposições, é substituída periodicamente. A ideia, segundo o artista, é questionar o valor atribuído a objetos comuns. No entanto, para ele, em contextos de guerra, essa discussão parece irrelevante. "É um paradoxo: a arte que critica o sistema acaba sendo engolida por ele", ponderou.

Contexto de guerras atuais

As declarações de Cattelan ocorrem em meio a conflitos globais que já causaram milhares de mortes. A guerra na Ucrânia completou dois anos, enquanto o conflito entre Israel e Hamas no Oriente Médio continua. Para o artista, a prioridade deve ser a preservação de vidas e a ajuda humanitária. "Não estou dizendo que a arte deve parar, mas que devemos ter consciência do que é realmente importante agora", explicou.

Outros artistas italianos também se manifestaram sobre o tema. O curador Francesco Bonami, amigo de Cattelan, comentou: "Maurizio sempre foi provocador, mas sua visão sobre a guerra é genuína. A arte pode esperar". A declaração gerou reações diversas, com alguns apoiando a ideia de que a arte deve se engajar socialmente, enquanto outros defendem sua autonomia em qualquer circunstância.

Reações do mercado de arte

O mercado de arte, que movimenta bilhões de dólares anualmente, muitas vezes parece alheio a crises. Leilões de alto valor continuam ocorrendo, mesmo durante guerras. Especialistas apontam que obras de arte podem ser vistas como investimento seguro em tempos de instabilidade. No entanto, Cattelan critica essa lógica. "Transformar arte em ativo financeiro é uma distorção. A arte deveria ser sobre a experiência, não sobre o lucro", afirmou.

A obra "Comedian" exemplifica essa contradição: um objeto efêmero e banal se torna um dos itens mais caros do mundo. Para o artista, isso revela o absurdo do sistema. "Se a banana vale milhões, então o sistema está doente. Em tempos de guerra, essa doença fica ainda mais evidente", concluiu.

A entrevista de Cattelan reforça o debate sobre o propósito da arte em sociedades em crise. Enquanto alguns veem na arte uma forma de resistência e memória, outros, como o italiano, questionam sua relevância imediata. O que fica é a provocação: até onde o valor da arte pode ser separado do contexto humano que a cerca?

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