Às vésperas do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, três artistas em cartaz no Rio de Janeiro compartilham suas experiências de resistência e representatividade nos palcos. A drag queen Miami Pink, a dramaturga trans Renata Carvalho e o ator Edwin Luisi concederam entrevista ao GLOBO, destacando o papel da arte na luta por visibilidade e direitos.
Renata Carvalho e o 'Cabaré Traviarcado'
Renata Carvalho, dramaturga trans, dirige o espetáculo "Cabaré Traviarcado", uma homenagem às travestis pioneiras que abriram caminho para as gerações atuais. A peça celebra a história e a cultura travesti, misturando humor, música e crítica social. "Somos o sonho de muitas gerações", afirma Renata, ressaltando a importância de ocupar espaços e contar suas próprias narrativas.
Miami Pink e o 'Pride Show'
A drag queen Miami Pink apresenta o "Pride Show", um espetáculo que exalta a cultura drag e a diversidade. Em sua performance, ela mescla números musicais, dança e discursos de empoderamento. "A drag é uma forma de resistência e celebração", diz Miami, que vê no palco uma plataforma para promover a aceitação e o orgulho da comunidade LGBTQIAPN+.
Edwin Luisi revive 'Eu sou minha própria mulher'
O ator Edwin Luisi retorna aos palcos com "Eu sou minha própria mulher", peça que conta a história real de Charlotte von Mahlsdorf, uma mulher trans que sobreviveu ao nazismo e ao regime comunista na Alemanha. Edwin interpreta a personagem com sensibilidade, destacando a força e a resiliência de Charlotte. "É uma história de resistência que inspira até hoje", comenta o ator.
Representatividade em cena
Os três artistas concordam que o teatro é um espaço fundamental para dar visibilidade às questões LGBTQIAPN+. Renata Carvalho enfatiza: "A arte tem o poder de transformar mentes e corações. Quando subimos ao palco, mostramos que existimos e que nossa história merece ser contada". Miami Pink complementa: "Cada performance é um ato de resistência contra a discriminação e o preconceito".
Impacto além dos palcos
Para Edwin Luisi, a peça "Eu sou minha própria mulher" não apenas entretém, mas também educa o público sobre a luta das pessoas trans. "Ao ver a história de Charlotte, o espectador se conecta com a humanidade dela, quebrando estereótipos", afirma. Renata Carvalho destaca que o "Cabaré Traviarcado" também busca resgatar a memória de travestis que foram apagadas da história oficial.
Os espetáculos em cartaz no Rio reforçam a importância da arte como ferramenta de resistência e representatividade, especialmente em um momento em que a comunidade LGBTQIAPN+ ainda enfrenta desafios significativos. Miami Pink resume: "Estamos aqui para celebrar quem somos e inspirar outros a fazerem o mesmo".



