Araras aprendem truques observando pares, revela estudo inédito
Araras aprendem truques observando pares, revela estudo inédito

As araras-de-garganta-azul (Ara glaucogularis), uma das espécies mais ameaçadas do planeta, são capazes de aprender novos truques apenas observando interações entre outros indivíduos, segundo estudo do Instituto Max Planck, na Alemanha. Essa forma de aprendizado, chamada de imitação em terceira pessoa, era considerada exclusividade humana.

Pesquisadores testaram 14 araras em cativeiro, divididas em dois grupos. Um grupo assistiu a demonstrações de companheiras treinadas executando movimentos como levantar a pata, girar em círculo, sacudir a cabeça, emitir um chamado e bater as asas, sempre em resposta a gestos humanos. O outro grupo recebia os mesmos comandos, mas sem ver a demonstração.

As aves que observaram o modelo aprenderam, em média, quatro das cinco ações propostas, enquanto o grupo sem demonstração aprendeu apenas duas. Além disso, as observadoras aprenderam mais rápido e com mais precisão, acertando os gestos em menos sessões de treino. Em alguns casos, imitaram espontaneamente antes mesmo de receber o comando oficial.

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Esse tipo de aprendizado é fundamental para comportamentos sociais complexos. Em humanos, a imitação em terceira pessoa ajuda na transmissão de normas e tradições. Para as araras, que vivem em sociedades dinâmicas, essa habilidade pode ser chave para a coesão social e o surgimento de tradições culturais dentro dos bandos.

Outro dado relevante: mesmo sem treinamento para copiar ações humanas, as araras distinguiram comandos gestuais arbitrários e responderam corretamente, algo que cães falharam em testes semelhantes. Isso reforça a predisposição natural de papagaios e araras para observar, interpretar e repetir comportamentos.

Os autores reconhecem limitações, como a amostra pequena (seis aves no grupo de teste e cinco no controle) e o foco em apenas cinco ações. Estudos futuros devem ampliar o repertório e investigar se, na natureza, as araras transmitem gestos entre si, o que indicaria uma forma rudimentar de cultura em aves baseada em movimentos corporais.

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