Abandonar redes sociais se torna estratégia entre estrelas da música
Abandonar redes sociais se torna estratégia entre estrelas da música

Quando Gayle Macdonald chegou ao pico de uma montanha em Sierra Nevada, na Espanha, no início deste ano, ela não parou apenas para apreciar a paisagem. Em vez disso, ela, que tem 45 anos, fez o que muitas pessoas fariam: procurou o melhor lugar para tirar uma selfie e postar nas redes sociais. Ela admite até que chegou perigosamente perto de um precipício para isso. Foi depois daquele momento, após ser repreendida por seu marido, que ela decidiu abandonar as redes sociais.

“Eu pensei ‘isso tem que parar’”, relembra Macdonald, cidadã britânica que mora perto de Granada, na Espanha. “Tirar foto era a primeira coisa em que pensava quando saía do carro”, ela conta. “Pensar todo o tempo em criar conteúdo e me preocupar com o que dizer estava ocupando espaço demais na minha cabeça e me deixando deprimida.” Uma semana depois, ela postou no Facebook e no Instagram que estava deixando as plataformas. “Foi surpreendente ver que foi a minha postagem mais curtida no Instagram. Todos estavam comentando ‘eu queria poder fazer o mesmo’ e ‘você é muito corajosa’.”

Macdonald é coach pessoal, especializada em ajudar as pessoas a parar de beber. Ela percebeu que passava, em média, cerca de 11 horas por semana nas redes sociais. E afirma que a ideia de abandonar os aplicativos era muito mais assustadora do que a ação real de sair. “Depois que saí, não tive mais vontade de voltar”, ela conta. “Foi bem libertador. Estou agora há mais de seis meses sem acessar as redes sociais e recuperei parte daquela sensação de paz e liberdade que experimentei quando parei de beber.”

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Muitos de nós passamos uma parte enorme do tempo nas redes sociais. Um estudo global em julho de 2022 estimou que uma pessoa passa, em média, duas horas e 29 minutos por dia nesses aplicativos e websites — cinco minutos a mais do que no ano anterior. Algumas pessoas podem achar que este é apenas um mau hábito que deveria ser eliminado. Mas, para outras, é uma forma real de dependência que requer ajuda externa para ser superada.

A organização UK Addiction Treatment (UKAT), que mantém centros de tratamento de dependência em redes sociais, afirma que houve um aumento de 5% da quantidade de pessoas que buscam auxílio para o problema nos últimos três anos. “Sem dúvida, a sociedade desenvolveu forte dependência das redes sociais e da internet, de forma geral, durante a pandemia”, afirma Nuno Albuquerque, consultor da UKAT. O aumento da conscientização sobre essas preocupações levou mais pessoas como Macdonald a abandonar as redes sociais ou pelo menos reduzir o tempo gasto nelas.

No início de 2022, a empresa Meta, proprietária do Facebook, informou que seu número diário de usuários ativos tinha diminuído pela primeira vez na sua história. Um relatório interno do Twitter que vazou em outubro afirmava que seus usuários mais ativos agora estão tuitando menos. Até o novo dono do Twitter, o bilionário Elon Musk, tinha especulado, no início do ano: “o Twitter está morrendo?” Recentemente, sua aquisição fez com que celebridades de Hollywood declarassem que irão sair do Twitter, por estarem insatisfeitas com as opiniões de Musk sobre a liberdade de expressão e seus planos para o serviço.

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